Em meio a pandemia, Santander demitiu 433 funcionários em um mês

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Banco havia se comprometido a não demitir funcionários durante a crise sanitária gerada pelo novo coronavírus

Em um mês, o banco Santander demitiu, no Brasil, 433 funcionários, segundo levantamento realizado por sindicatos dos bancários de todo o país, informa reportagem publicada na Folha Online na última segunda-feira (6). O jornal lembra que o banco quebrou seu compromisso de não demitir funcionários durante a crise sanitária causada pelo novo coronavírus que assola o país, e as demissões estão ocorrendo em diversos estados. O jornal informa, ainda, que o Santander é o único entre os maiores bancos do país a não respeitar o compromisso pela não demissão de funcionários neste período.

O número de demissões pode ser ainda maior, uma vez que o banco não apresenta os dados e os sindicatos tiveram que fazer um levantamento a partir das informações que são passadas pelos próprios trabalhadores.

“Na última quarta-feira (1/7), tivemos uma reunião com o banco para tratar, entre outras coisas, deste assunto. Mas, o banco se recusou a negociar e não apresentou os dados. Marcamos uma nova reunião para sexta-feira (3), mas o banco a desmarcou momentos antes da hora marcada”, lembrou o representante Contraf-CUT nas negociações com o Santander, Mario Raia.

Metas abusivas

Segundo o banco, as demissões são ajustes naturais em busca da competitividade e ocorrem quando não há cumprimento de metas. O banco lançou uma campanha chamada “Motor de Vendas”, que define o cumprimento pelos funcionários de metas crescentes.

“É mais um dos compromissos descumpridos pelo Santander. Em mesa de negociações entre a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e o Comando Nacional dos Bancários, os bancos se comprometeram a não cobrar metas comerciais durante a pandemia. As únicas metas que permaneceram foram as de qualidade de atendimento”, informou Raia, lembrando que o Santander já foi condenado pela Justiça pela prática de cobrança de metas abusivas.

Ataque aos aposentados

A reportagem da Folha também traz informações sobre as mudanças que o Santander quer promover no fundo de previdência dos funcionários do antigo Banespa (Banesprev), desrespeitando o termo de compromisso estabelecido em acordo coletivo e assinado pelo banco e pelos representantes de funcionários. Uma liminar proíbe o banco de dar continuidade à mudança.

“A proposta do Santander visa substituir o plano de benefício definido –no qual é pré-fixado o valor a ser retirado na aposentadoria– por um plano de contribuição definida –que pré-define a contribuição ao longo do plano e o montante a ser retirado varia em função da quantia, do tempo de contribuição e da rentabilidade”, explica o jornal.

“Como vemos, o banco Santander é um assíduo descumpridor de compromissos”, concluiu Mario Raia.

Com informações Contraf CUT

Arte: Fabiana Tamashiro/Freepik