Assédio estrutural adoece e afasta
A crise no ambiente profissional se tornou epidemia diante do crescimento exponencial dos afastamentos por questões de saúde mental. Em 2025, o Brasil voltou a registrar recorde de licenças ligadas a fatores psicológicos, em média de 4 milhões. Alta de 15% ante 2024, aponta o Ministério da Previdência Social.
Ansiedade e depressão concentram a maior parte dos casos, com 166.489 e 126.608 afastamentos, respectivamente. Somadas, as duas condições formam o segundo maior motivo de licenças no Brasil, atrás apenas das doenças da coluna.
As mulheres são as mais atingidas e representam mais de 60% dos afastamentos por saúde mental, enquanto os homens somam pouco mais de 30%. A desigualdade dialoga com a realidade do mercado de trabalho. Mulheres recebem menos do que homens em 82% das áreas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além de acumularem responsabilidades de cuidado e estarem mais expostas à violência.
Especialistas alertam que, sem mudanças nas condições de trabalho, como enfrentamento às jornadas extensas, vínculos precários e instabilidade, a tendência é de manutenção ou avanço dos casos.
Além do impacto na qualidade de vida do trabalhador, o problema também afeta o INSS, que utilizou aproximadamente R$ 3,5 bilhões dos cofres públicos para lidar com a questão.
Fonte: Seeb BA

