Banco do Brasil apresenta proposta para renovação do ACT específico
Após resistência e sucessivas rejeições, negociação com Fenaban chega a proposta com 0,6% de aumento real
Fruto de semanas de negociação, mobilização, plenárias, atos e uma paralisação nacional que mostrou a força e a disposição da categoria, o Comando Nacional dos Bancários chegou, no sábado, 29 de agosto, a uma proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com aumento real, que será levada para assembleias em todo o país, das 19h de quinta-feira (3 de setembro) às 19h de sexta-feira (4).
A proposta garante reposição integral da inflação pelo INPC mais 0,6% de aumento real, tanto em 2026 quanto em 2027, a ser aplicado aos salários e a todas as demais verbas econômicas, como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tanto na parcela básica quanto na adicional. Todos os direitos previstos atualmente na CCT também ficam preservados, e novas cláusulas sociais serão adicionadas (detalhes abaixo).
Ao longo de toda a Campanha Nacional Unificada, os bancos tentaram impor perda real nos salários da categoria. Mesmo na reta final das negociações, a Fenaban chegou à mesa estipulando perda real de até 1,99%. Foram sucessivas propostas rejeitadas pelo Comando Nacional antes que os bancos abandonassem o arrocho, aceitassem repor integralmente a inflação e, por fim, apresentassem aumento real. Na penúltima etapa da negociação, os índices de ganho real ainda estavam em 0,33% e 0,26% para 2026 e 2027. Somente após nova rejeição e continuidade da negociação a Fenaban chegou aos 0,6% para os dois anos sobre todas as verbas.
Categoria resistiu aos ataques dos bancos
Durante a Campanha Nacional, os bancos não atacaram apenas os salários. Por dois meses, a Fenaban tentou romper a mesa única de negociação, congelar verbas, mexer na gratificação de função de caixas e, ainda, impor diferenciações entre regiões do país e entre os trabalhadores.
Em uma das propostas, que foi levada a Assembleias em todo o país em 17 de agosto, os banqueiros defendiam o congelamento do piso salarial, além de reajustes diferenciados entre os bancários, que seriam divididos por faixas salariais. A resposta da categoria foi contundente, rejeitando massivamente a tentativa de divisão. Em Porto Alegre e Região, a proposta foi rechaçada por mais de 97,5% dos votantes, que decidiram também por um dia de paralisação em resposta aos banqueiros. No dia 20 de agosto, os bancários realizaram uma grande paralisação, afetando agências e unidades bancárias em todo o Brasil.
Em Porto Alegre, o Sindicato mobilizou os trabalhadores para a paralisação, atingindo mais de 70% dos locais de trabalho, e realizou um ato na Praça da Alfândega, ampliando, junto aos demais sindicatos, a pressão sobre os bancos. Ao longo da Campanha, também foram promovidas plenárias, assembleias, atos de rua e reuniões nos locais de trabalho, mantendo a categoria informada sobre o andamento das negociações.
Nessa segunda-feira, 31 de agosto, o SindBancários realiza nova plenária para esclarecimentos e debate da proposta da Fenaban. A atividade acontece a partir das 18h30, em formato híbrido. Presencialmente, com direito à manifestação, no Auditório da Casa dos Bancários (R. General Câmara, 424 – 3º andar) e, para quem preferir, também virtualmente, por meio da plataforma Zoom.
Direitos preservados e novas garantias
Além do aumento real e da manutenção integral da Convenção Coletiva, a proposta inclui avanços em temas que estiveram na pauta da categoria durante a Campanha Nacional.
- Saúde mental: Participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, da nova Norma Regulamentadora nº 1 (RN-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria.
- Combate ao assédio: O banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual, criado na Campanha Nacional de 2024, para receber também denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários.
- Monitoramento digital: Transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito à feedback, com o objetivo de estabelecer gestão ética e humanizada da tecnologia, para proteção aos bancários.
- Direito à desconexão: Para que bancários e bancárias tenham seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja para clientes, seja para gestores.
- Paralisação do dia 20 de agosto: A Fenaban garantiu abono do dia de paralisação para as bases que aprovarem as propostas nas assembleias.
Proteção diante do fechamento de agências e das demissões
Foram acordadas ainda duas medidas, em casos de bancários demitidos devido ao fechamento de agências.
Uma delas é a contratação da Gi Group, consultoria que deverá realizar diagnóstico individual, oferecer qualificação e auxiliar na recolocação dos trabalhadores no mercado. Os bancários também terão acesso a uma plataforma de cursos e a um banco de talentos para aproximação com outras empresas.
A segunda medida é o aumento da indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela:

Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos fecharam 9,5 mil agências. E, somente no primeiro semestre de 2026, foram encerradas 669 agências no Brasil pelos maiores bancos do país.
Assembleias
Comando e Contraf-CUT orientam que todos bancários participem das assembleias que deliberarão sobre a proposta, e das plenárias prévias de esclarecimentos e debates da CCT.
A inflação (INPC) para a data-base dos bancários (1º de setembro) será divulgada no dia 11 de setembro, quando será possível definir qual será o reajuste total (INPC + 0,6% de aumento real) para salários e demais verbas em 2026.

Fonte: SindBancários POA



