Encontro Estadual do Santander debate campanha nacional dos bancários e fechamento de agências no RS

A Fetrafi-RS realizou, na noite de terça-feira (19), o Encontro Estadual do Santander, reunindo dirigentes sindicais e trabalhadores para debater os principais desafios da categoria bancária e construir pautas para a Campanha Nacional dos Bancários.

Entre os temas centrais do encontro estiveram saúde e condições de trabalho, remuneração, fechamento de agências, terceirização e os impactos da reestruturação promovida pelo Santander nos últimos anos.

Saúde, metas e condições de trabalho

O secretário de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mauro Salles, destacou que a saúde dos trabalhadores e a remuneração serão os dois principais eixos da campanha nacional. Segundo ele, há um crescimento do adoecimento na categoria, impulsionado pela pressão por metas, insegurança no emprego, reestruturações constantes e aumento do controle sobre os trabalhadores. “Os bancos estão entre as categorias com maiores índices de afastamento por adoecimento mental. O principal embate será fazer os bancos reconhecerem que metas abusivas, pressão excessiva e gestão por assédio são fatores centrais desse adoecimento”, afirmou.
Salles também ressaltou que, apesar dos reajustes salariais, muitos trabalhadores têm perda de renda devido ao aumento dos custos com planos de saúde e ao elevado endividamento da categoria.

O vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenes, abordou a conjuntura econômica internacional e seus reflexos no Brasil e no sistema financeiro. Segundo ele, o cenário mundial de crise econômica, aliado às políticas de juros elevados e à expansão das fintechs, impacta diretamente o emprego bancário e acelera os processos de fechamento de agências e reestruturação no setor financeiro.

A diretora do Departamento de Aposentados do SindBancários, Natalina Gue, defendeu a inclusão, na pauta da campanha nacional, de mecanismos de maior proteção para trabalhadores próximos da aposentadoria, além da ampliação das garantias de estabilidade no emprego.


Fechamento de agências e terceirização

O economista Alisson Droppa, do Dieese, apresentou dados sobre o processo de fechamento de agências e redução de postos de trabalho no Santander. Segundo ele, o banco mantém alta lucratividade mesmo promovendo cortes profundos na estrutura física e no quadro de funcionários.
Entre março de 2025 e março de 2026, o Santander fechou mais de 6 mil postos de trabalho no país, além de 158 agências e 225 unidades de atendimento. No Rio Grande do Sul, a redução de agências chegou a cerca de 57% desde 2023. Na base de Porto Alegre, a queda foi ainda maior, alcançando aproximadamente 70%.

Droppa destacou ainda que o banco vem ampliando a terceirização por meio da aquisição de empresas de tecnologia, cobrança, seguros e serviços financeiros, transferindo trabalhadores para empresas fora da categoria bancária e reduzindo direitos garantidos pela convenção coletiva.

Funcionários presentes no encontro também relataram preocupação com o fechamento de agências e a transferência de clientes e trabalhadores para outras unidades ou canais digitais, aumentando a sobrecarga de trabalho e prejudicando o atendimento à população.


Participação e mobilização da categoria

Para Luiz Cassemiro, trabalhador do Santander, dirigente do SindBancários e da Fetrafi-RS, o encontro cumpriu um papel importante de escuta e construção coletiva da categoria “Faço uma avaliação muito positiva do nosso Encontro Estadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Santander. Foi um espaço importante de diálogo, escuta e construção coletiva, onde os colegas puderam compartilhar a realidade vivida no dia a dia e contribuir com propostas para fortalecer nossa organização e nossa luta”, afirmou.

Cassemiro também destacou a importância da participação dos trabalhadores nos espaços da categoria e na construção da campanha nacional. “Quanto mais os colegas participam, mais fortalecida fica a nossa representação e maior é a capacidade de defender direitos, cobrar melhores condições de trabalho e enfrentar os problemas que atingem os bancários. Precisamos manter os trabalhadores mobilizados e participando da pesquisa nacional dos bancários, porque é dessa construção coletiva que saem as prioridades da nossa campanha”, ressaltou.

O encontro reforçou a necessidade de organização da categoria diante das transformações no sistema financeiro e dos impactos da digitalização e da terceirização sobre o emprego bancário.

Fonte: SindBancários Porto Alegre

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