IPO do banco digital esvazia função pública e social da Caixa

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O governo federal e a direção da Caixa seguem com a agenda de privatizar o ainda inexistente banco digital, com base no aplicativo Caixa TEM. A futura subsidiária depende de autorização do Banco Central para sair do papel, mas entrou na lista prioritária das empresas que devem ter o capital aberto, entre o fim deste ano e o começo de 2022.

A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) tem alertado para a gravidade do processo. A transferência das principais atividades operadas pela Caixa para a nova instituição financeira digital, com CNPJ próprio e outra estrutura contábil, esvaziará totalmente as funções do banco público centenário e diminuirá drasticamente sua rentabilidade, imprescindível para reafirmar a importância do Estado como fonte de desenvolvimento.

Para Sergio Takemoto, presidente da Fenae, a constituição e alienação do chamado banco digital representará mais uma cisão da parte lucrativa do único banco 100% público do país, com a transferência de ativos e do corpo funcional especializado para uma subsidiária que será já criada com o propósito “nada republicano” de ser feito o IPO (sigla em inglês para abertura pública inicial para venda de ações na Bolsa de Valores). Ele recorda que a meta governamental e da atual gestão da Caixa é proceder assim também com parte da Asset, criando uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) e abrindo seu capital em seguida, valendo ainda essa manobra para as áreas de loterias e cartões.

“O maior objetivo do banco digital será pavimentar a privatização da própria Caixa sem a obrigatoriedade de apreciação pelo Congresso Nacional, para a qual serão transferidas as operações de programas sociais, FGTS, microcrédito, habitação, produtos e serviços comerciais. A base dessa nova subsidiária será o Caixa TEM e as poupanças digitais, desenvolvidas pelos empregados durante a pandemia da Covid-19, para facilitar o acesso de todos os brasileiros a serviços e transações bancárias”, denuncia Takemoto. A Fenae já chamou atenção para a criação de subsidiárias para venda sem autorização do Congresso é uma forma de burlar a Legislação.

Fonte: Fenae