Pelotas perde mestra griô Sirley Amaro

78098315_2996686367025978_6116999389123706880_o

Na última quarta-feira (28), Pelotas teve uma perda inestimável: faleceu a mestra Griô Sirley Amaro. Ela tinha 84 anos e é uma das personagens mais importantes da cultura pelotense. No dia 20 de novembro do ano passado, Sirley Amaro foi homenageada na Marcha da Consciência Negra, que teve como tema: “Pela nossa história e ancestralidade”.

Reconhecendo a importância de Dona Sirley para manter viva a tradição e a luta da comunidade negra de Pelotas, a UFPel concedeu à ela o título de doutora Honoris Causa.

História e reconhecimento

Desde cedo, Dona Sirley participou ativamente da cultura que envolvia a família. Assim, tanto acompanhou os Carnavais do passado, quanto desenvolveu habilidades manuais. Ela começou a trabalhar como costureira aos treze anos. Entre as suas peças mais conhecidas, estão os “fuxicos”. Aproveitando as sobras de tecidos coloridos, criou bonecas e adereços para uso doméstico. Dona Sirley  levou sua técnica de costura, para o espaço Casa de Meninas de Pelotas. Ela também trabalhou em escola. Na trajetória, integrou o grupo Odara, e o coral Talentos da Maturidade.

Sua história teve reconhecimento nacional, através do programa Cultura Viva, do então Ministério da Cultura. Em 2006 surgiu o projeto Ação Griô e, no ano seguinte, ela foi reconhecida oficialmente como mestra. Em 2013, Sirley foi a ganhadora do Prêmio Culturas Populares, Edição 100 anos de Mazzaropi. O projeto nasceu em Lençóis (BA), no Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô, que existe desde 1993. Como mestra desenvolveu oficinas de contação de histórias na cidade e região, repassando por meio da oralidade sua vivência, memória e princípios.

Fonte: Jornal Diário da Manhã, com edição Seeb Imprensa Pelotas

Foto: Jô Folha – DP