Pelotas fica de fora do Acordo Coletivo entre o BB e a Contraf-CUT

BBACORDO

Os funcionários do Banco do Brasil (BB), em Pelotas e Região, votaram pela não adesão ao Acordo Coletivo de Trabalho Emergencial (Pandemia Covid-19), que foi firmado entre o Banco e a Confederação Nacional de Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), por ocasião da Assembleia Eletrônica do BB, realizada nos dias 1º e 2 de julho. Embora, à nível nacional, a concordância com a proposta tenha chegado a 86%, na região de Pelotas, os 29 votantes da assembleia definiram por não aceitar o acordo – contabilizando 15 votos contrários e 14 a favor. Com essa decisão, todos os bancários do BB, da base do Sindicato, não serão contemplados com a proposta.

De acordo com a diretora do Sindicato e funcionária do BB, Marlise Souza, a baixa participação nas assembleias não se deve apenas à Pandemia. “Mesmo de forma presencial, o Sindicato tem contado com pouca presença da categoria, embora sempre reforce a importância de que, quando convocados, os trabalhadores devem se fazer presentes”, ressalta. Só o BB conta com 84 sindicalizados, em Pelotas e Região, mas esse número não tem se refletido em participação nas assembleias. A direção do Sindicato tem insistido, conforme ressalta Marlise, para que os bancários se envolvam nas deliberações, uma vez que as assembleias são espaços democráticos para a tomada de decisões.

Não adesão ao acordo

Um dos temas que não está contemplado na proposta rejeitada pelos funcionários do BB, na cidade de Pelotas e nos municípios da Região, é o compromisso do Banco em não descomissionar nenhum funcionário até o final da Pandemia. Embora tenha havido a promessa, por parte do BB, nada foi oficializado. Entre os pontos principais, que constam na minuta, está a discussão sobre o banco de horas. Enquanto os bancos privados se comprometeram a abonar 40% do total das horas negativas, o BB se comprometeu com apenas 10%.

Na avaliação da diretora do Sindicato, Sidmara Sarzi de Almeida, que também é funcionária do BB, o acordo poderia ter sido muito mais abrangente, contemplando toda a categoria, sendo esse, talvez, um dos motivos para a rejeição da proposta. “Como nós não temos certeza até quando vai durar a Pandemia, têm muitos funcionários que não vão conseguir cumprir essas horas extras até o final de 2021 e, principalmente, aqueles que, por algum motivo, saírem do banco, a não ser os que estão amparados pela aposentadoria por invalidez, terão que pagar, em dinheiro, essas horas negativas, sendo esse valor descontado da sua rescisão de contrato”, avaliou.

Outro ponto importante diz respeito aos direitos que já haviam sido adquiridos, mas retornaram, na minuta, como se fossem novas vantagens. É o caso dos abonos, já que, conforme consta no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), os funcionários do BB possuem direito a cinco folgas por ano e, antes mesmo dos trabalhadores entrarem de férias compulsórias, o Banco já tinha concedido esse benefício para muitos.

Na opinião da diretora Marlise, cria-se, assim, uma lacuna de tempo, uma vez que o banco tem dois dias úteis para comunicar ao funcionário. “Nesses dois dias úteis alguns gerentes deram o abono para os funcionários, mas esse abono é do ACT e não pode ser dado sem o consentimento do trabalhador. Trata-se de um direito adquirido em acordo anterior. Agora o banco reviu essa situação e, ao invés de descontar esses cinco dias como o abono do ACT, vai reclassificá-lo, colocando outro código no sistema, para que os bancários possam tirar esses cinco dias no futuro”, explica.

Imprensa Seeb Pelotas