Coronavírus: COE cobra orientações do Santander ao grupo de risco

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Banco impõe férias individuais ou coletivas aos colegas já afastados por doença ou morbidade e precisa melhorar a eficiência na comunicação com colegas afastados

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander realizou uma videoconferência com representantes de trabalhadores do banco espanhol para organizar estratégias de defesa dos bancários na crise do novo coronavírus e de orientação geral. A reunião virtual ocorreu no dia 6 deste mês. Os representantes dos trabalhadores atendem a reclamações dos bancários nas agências e constataram que o banco precisa ser mais claro nas informações que presta a seus empregados.

PCDs (Pessoa com Deficiência)

O Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência), em nota, orienta o afastamento imediato de pessoas com deficiência do seu ambiente de trabalho, sem prejuízos em suas remunerações e demais benefícios por fazerem parte do grupo de risco. Cobrado para que cumpra a orientação da nota pública do Conade, o banco, até o momento, não se posicionou quanto aos colegas PCDs.

O assunto está sendo discutido no comitê de crise. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também enviou recomendação à Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) orientando que os bancos encaminhem bancários PCDs para home office ou, na impossibilidade de execução da função neste sistema, que afastem os trabalhadores dos locais de trabalho, sem prejuízo na remuneração.

Orientação sobre o grupo de risco

A principal dúvida e preocupação dos bancários do Santander gira em torno do home-office e de como os trabalhadores do grupo de risco devem proceder. O Santander orienta bancários(as) com mais de 60 anos, as gestantes, os hipertensos, cardiopatas e diabéticos como funcionários que precisam de atestado para ficarem em casa, mesmo pertencendo ao grupo de risco.

Os atestados devem ter duração de 14 dias e conter o tipo de morbidade ou condição física que coloca o bancário no grupo de risco à COVID-19. A dificuldade tem sido justamente esta: os colegas agora precisam enviar pelo sistema um atestado médico de afastamento de 14 dias.

Férias coletivas e individuais

Após os 14  dias de atestado, o funcionário deverá entrar em férias individuais ou coletivas por 15 dias. Passados esses 29 dias, se ainda for orientação de isolamento, o comitê de crise do banco analisará o próximo passo, se o funcionário apresenta mais 14 dias de atestado ou tira mais 15 dias de férias ou férias compulsórias.

A orientação é que, caso algum gestor insista que o trabalhador volte a trabalhar nestas condições, deve ser feita uma denúncia ao Sindicato.

Rodízio de agências durante a quarentena

O Santander fechou, por 15 dias, algumas agências nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e deu férias coletivas para todos os trabalhadores com o intuito de reduzir o risco de contágio. A partir desta semana, algumas dessas agências serão reabertas. Outras continuarão fechadas. O banco está estendendo o fechamento para algumas agências do interior de São Paulo e outros estados.

O banco também tem dado férias coletivas para alguns trabalhadores e remanejado outros, especialmente GGs e GAs. O entendimento da COE/Santander é que todos os trabalhadores entrem no sistema de rodízios para reduzir a exposição ao coronavírus, preservando a vida e a saúde de todos.

Banco de horas

A COE/Santander irá cobrar, ainda, a alteração do prazo de compensação das horas extras. O banco, sem avisar previamente, alterou o prazo de compensação de 6 para 18 meses. A alegação é que não haja descontos das horas negativas. Foi cobrado no dia três de abril, através do comitê de crise, que o banco negocie este e outros assuntos que surgirem juntamente com os demais bancos na mesa da Fenaban, que ocorre toda semana.

EPIs e organização das agências

Os relatos de falta de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) se espalham pelo Brasil. Há falta de máscaras, álcool em gel e luvas. Os bancários também relatam dificuldades como a falta de sinalização e exposição excessiva e desnecessária nos setores de autoatendimento.

A conclusão é que, se o banco estiver com dificuldades para fornecer os equipamentos, deve liberar a compra individual e agilizar o reembolso.

Fonte: Imprensa SindBancários