Entidades e moradores protestam contra flexibilização do isolamento físico em Novo Hamburgo

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Um grupo de moradores e entidades de Novo Hamburgo divulgou, na terça-feira (7), uma nota pública dirigida à Prefeitura do município manifestando “grande surpresa e profunda preocupação” com o decreto publicado pelo Executivo, no dia 4 de abril, que flexibiliza as medidas de isolamento físico na cidade e autoriza o funcionamento de estabelecimentos como bares, lancherias, restaurantes, salões de beleza e cultos com até 30 pessoas. No dia 20 de março, por meio de outro decreto, a Prefeitura havia declarado estado de calamidade pública em todo o município para fins de prevenção e enfrentamento da pandemia da Covid-19. Quatro dias depois, em 24 de março, um novo decreto aprofundou as medidas de isolamento no município.

Até a segunda-feira (6), Novo Hamburgo contabilizava 20 casos confirmados de Covid-19, com duas mortes. Só no domingo (5), conforme informação da página da Prefeitura no Facebook, foram registrados 5 novos casos na cidade.

Pelo novo decreto da Prefeitura de Novo Hamburgo, “bares e restaurantes podem abrir respeitada a distância de 2 metros entre as meses e resguardadas várias imposições de limpeza e higienização”. Além disso, todo comércio que consegue funcionar com tele-entrega está liberado e “os cultos estão permitidos desde que respeitada a presença de, no máximo, 30 pessoas”. Segundo a prefeita Fátima Daudt, o decreto “não contraria quaisquer determinações dos governos do Estado e do País” e as aulas em todas as redes de ensino seguem suspensas até o final do mês.

Os signatários da nota pública, no entanto, protestam que, agora, na contramão das orientações dos médicos especialistas, da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e dos próprios decretos anteriores, a Prefeitura Municipal publicou um novo decreto flexibilizando o isolamento físico no município, apesar de formalmente manter o estado de calamidade pública. A flexibilização decretada pela Prefeitura de Novo Hamburgo, acrescenta a nota, é ainda mais frouxa em relação à necessidade de isolamento físico do que o último decreto do Governo Estadual.

“Justamente no momento em que os números de infectados e de óbitos não param de crescer em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul e no Brasil, a Prefeitura Municipal opta por, supostamente, proteger a economia em detrimento da saúde da população hamburguense. Não há nenhum indicativo científico que oriente para a flexibilização do isolamento físico neste momento”, afirma a nota publicada na página do grupo Saúde para Todos/NH contra o coronavírus, no Facebook. “Menos isolamento significa mais circulação de pessoas e, consequentemente, mais circulação do Coronavírus; mais circulação do vírus implica em mais pessoas infectadas e, tristemente, significa também mais óbitos”, acrescenta.

Leia aqui a íntegra da nota e as entidades e moradores de Novo Hamburgo que assinam o documento.

Com informações Sul 21

Foto: Divulgação Prefeitura de Novo Hamburgo