Curso do Formação Intersindical começará em agosto

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Em mais um encontro para definir os rumos do Curso de Formação Intersindical, o Sindicato dos Bancários recebeu, nesta quinta-feira (7), a visita de lideranças de diversas entidades interessadas em se somar ao projeto. A ideia é que todos os sindicatos e demais entidades do movimento social, que tiverem interesse em participar dessa construção, sintam-se à vontade para contribuir com a sugestão de temas e ajudar a definir o cronograma de atividades.

De acordo com o coordenador  de formação do Sindicato dos Bancários, Ricardo Bochi, este será um projeto a ser executado a longo prazo, sem data prevista para a sua conclusão. “Considerando o momento atual enfrentado pelas entidades sindicais, e pelo movimento social como um todo, estamos somando esforços no sentido de projetar algo inédito no âmbito da formação sindical de Pelotas e Região. Um espaço de discussões, permanente, cuja dinâmica seja convidativa à participação de todos, fugindo, ao máximo, ao modelo tradicional dos cursos de formação, para que todos sintam-se parte do projeto e motivados a participar em todas as atividades”, explicou.

Durante o diálogo entre as lideranças que se fizeram presentes na reunião desta quinta-feira (7), foram tomadas algumas decisões importantes para o encaminhamento do projeto de formação. Ficou definido que o curso terá início em agosto, logo após o término da Copa do Mundo. O público-alvo serão os dirigentes sindicais, embora não haja restrição para a comunidade, em geral, participar das atividades.

Outro encaminhamento importante diz respeito ao primeiro tema a ser abordado. Foi consenso entre as lideranças sindicais que é necessário problematizar, historicamente, os impactos das reformas neoliberais que estão em curso, sobretudo as mudanças que a reforma trabalhista tem ocasionado na vida das diferentes categorias de trabalhadores, trazendo, ainda, dados locais, sobre o aumento da exploração no mundo do trabalho, com adoecimentos físicos e mental e aumento considerável do desemprego.

A temática que dará início ao curso de formação será a transição do fordismo para o toyotismo, considerando o processo de acumulação flexível. O advogado Rubens Vellinho, que presta assessoria jurídica para o Sindicato dos Bancários, e está participando da organização do curso, lembrou que, com a crise internacional do capitalismo, no final do século XX, o fordismo precisou se moldar à um novo modelo de organização da atividade produtiva. “Essa mudança, no mundo do trabalho, foi acompanhada pelo avanço tecnológico, com o advento dos computadores, impactando diretamente no tempo de produção e, consequentemente, aprimorando os conceitos com os quais precisamos trabalhar neste primeiro momento: o fordismo e o taylorismo.

O advogado do Sindicato refere-se a um novo modelo de acumulação, que  desde a década de 80, propôs maior flexibilidade, gerando uma maleabilidade maior dos processos de produção, alterando substancialmente a participação dos trabalhadores na definição dos processos de trabalho. Essa mudança, certamente, acaba por confrontar-se com o perfil rígido que marca o modelo fordista. A discussão, que terá início em agosto, deve considerar, ainda, o impacto psicológico das transformações no mundo do trabalho. A categoria bancária sabe muito bem o que é isso. Uma pesquisa recente da UnB revelou que, entre os anos de 1996 e 2005, 181 bancários cometeram suicídio. O número indica uma média de um suicídio a cada 20 dias, segundo informações reunidas pelo Ministério da Saúde.

Imprensa Seeb Pelotas