Bancários resistem à privatização e levam Banrisul a atingir lucro recorde de R$ 1,09 bilhão em 2018

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Mesmo que 2018 tenha sido um ano de redução do tamanho do Banrisul, com fechamento de agências, redução de quadro de pessoal com PDAV e de duas vendas suspeitas de ações pelo governo Sartori (MDB), o banco público dos gaúchos deu mais uma mostra de que em time que está ganhando não se mexe. Há 90 anos nas mãos do povo gaúcho, o banco bateu novo recorde. Com o balanço divulgado nesta terça-feira (12), o Banrisul fechou 2018 com lucro líquido recorrente de R$ 1,09 bilhão, 20,3% superior ao resultado auferido no ano anterior.

O crescimento foi superior até mesmo em relação a bancos privados nacionais como o Itaú Unibanco (expansão de 3,4%) e o Bradesco (expansão de 13,4%). O novo recorde é fruto de um processo de resistência dos banrisulenses e a prova de que a instituição é viável tanto do ponto de vista financeiro como estrutural e que seu maior patrimônio são os bancários.

Os colegas do Banrisul tiveram muito mais trabalho no ano passado por conta dos cortes de pessoal e ainda conseguiram chegar ao maior lucro da história.

Para o presidente em exercício do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Luciano Fetzner, o novo recorde é mais uma prova de que o Banrisul não precisa ter seu patrimônio vendido. “Temos que, acima de tudo, dizer que são os colegas, aqueles que enfrentaram a dura rotina de precarização e de pressão por resultados, os responsáveis por mais esse recorde. É mais um ano que confirma a importância de manter o Banrisul público”, avaliou Luciano, que é funcionário do Banrisul.

Eficiência

No ano passado, bancos púbicos foram assolados por um discurso de eficiência. Na intenção de produzir entre os trabalhadores uma narrativa que os convencesse de que cortes em direitos e transferências tornariam o banco mais eficiente, o governo ilegítimo de Michel Temer (MDB) foi reduzindo a importância do papel dos bancos públicos de desenvolver social e economicamente o país. Isso aconteceu no Banrisul também.

Dizer que os bancos públicos são ineficientes ajuda a reduzir a importância, desvaloriza e facilita privatização. Mesmo com o fechamento de agências, o aumento de trabalho, a sobrecarga de serviços, os banrisulenses souberam dar a resposta e resistirem aos ataques ao Banrisul público.

O Banrisul está de novo na mira das privatizações

Os banrisulenses precisam ficar ligados. O novo governador Eduardo Leite (PSDB) apresentou a PEC 272/19 na Assembleia Legislativa, no último dia 6, para tirar dos gaúchos a decisão sobre a venda de seu patrimônio. O texto propõe cancelar a necessidade de plebiscito, garantido pelo Artigo 22 da Constituição Estadual, para autorização de venda da CEEE, CRM e Sulgás.

Mais: Leite saiu de uma reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no último dia 4, falando em vender ações do Banrisul. Depois que o governo anterior vendeu ações do Banrisul em dois leilões na B3 no ano passado, por um valor que nem conseguia cobrir uma folha de pagamento dos servidores públicos do estado ficou uma certeza. Vender o Banrisul e qualquer patrimônio do estado para ingressar no Regime de Recuperação Fiscal não vai resolver crise financeira do estado. Só vai piorar.

Assista ao vídeo sobre a luta dos bancários do Banrisul em 2018!

Fonte: CUT-RS com SindBancários

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