CCT é assinada nesta quarta (9) e atenção se volta aos encaminhamentos nos bancos públicos

Sindicatos de bancários de todo o país realizaram, na quinta (3) e sexta-feira (4), assembleias para deliberar sobre as propostas para a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria e para os novos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) específicos de cada banco. No Rio Grande do Sul, o levantamento realizado em 38 sindicatos mostra que o comportamento das bases gaúchas acompanha o cenário verificado no restante do país.

A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), negociada na mesa única com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi aprovada por quase a totalidade das assembleias, no RS, obteve aprovação por cerca de 84% dos sindicatos gaúchos. Com a aprovação da proposta, a assinatura da nova CCT será realizada nesta quarta-feira (9), a partir das 14h, em São Paulo.

Banrisul

No Banrisul, 32 entidades sindicais rejeitaram a proposta do banco. De acordo com Raquel Gil, diretora da Fetrafi-RS e coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Banrisul, a votação demonstra a confiança dos trabalhadores na indicação dos seus representantes, que orientaram a rejeição dos ACTs dos bancos públicos e a aprovação da CCT Nacional nos bancos privados.

A dirigente criticou a postura da gestão durante o processo e denunciou manobras de última hora para tentar esvaziar a mobilização. “O Banrisul, ao perceber a iminente derrota nas Assembleias, incluiu na proposta um abono que não conquistou os banrisulenses, que sinalizaram querer avanços que representem o crescimento do lucro do Banrisul nos últimos anos e não a retirada de direitos”, pontuou.

A Fetrafi-RS encaminhou um ofício ao banco solicitando a reabertura imediata das tratativas. Como resultado, a COE e representantes do banco retornaram à mesa na tarde da terça-feira (8), em formato virtual. Sem avanços, a COE está reunida nesta quarta-feira (9) para avaliar os próximos passos.

Banco do Brasil

No RS, 28 entidades rejeitaram a proposta. O resultado gaúcho alinhou-se nacional, onde a maioria dos sindicatos votou pela reabertura das negociações. O banco e a representação dos funcionários voltaram à mesa na terça-feira (8). 

Para a representante do RS na Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB), Priscila Aguirres, a reunião foi insatisfatória pela falta de novidades da direção, mantendo a proposta insuficiente. A dirigente apontou, no entanto, que o resultado da votação indica pouca adesão da base para uma paralisação. Diante disso, novas assembleias devem ser convocadas nos próximos dias para reavaliar o cenário e medir a disposição dos empregados em construir uma greve.

Caixa Econômica Federal

Na caixa, a proposta obteve a rejeição de 36 entidades no estado e 93 bases sindicais do país. De acordo com o representante do RS na Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Lucas Cunha, o resultado das assembleias deu um recado claro de que o texto apresentado é insuficiente e não pode ser tratado como final, por não responder às principais reivindicações dos empregados, especialmente quanto ao Saúde Caixa.

Diante desse cenário de impasse, os trabalhadores aprovaram o indicativo de greve a partir do dia 10 de setembro. Lucas ressaltou que, embora haja disposição para o diálogo, a categoria compreende a necessidade de intensificar a pressão: “A parte significativa dos colegas que optaram pela greve entende que a Caixa só mudará seu posicionamento diante de uma mobilização forte, e que somente a greve pode fazer o banco, de fato, voltar à mesa de negociação”.

Texto: Thayssa Kruger/Fetrafi-RS

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