Plenária discute proposta do Banrisul e aponta indicativo de rejeição em assembleia
Plenária discute proposta do Banrisul e aponta indicativo de rejeição em assembleia
A proposta final do Banrisul para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), apresentada após 11 rodadas de negociação, foi debatida em plenária nacional nesta quarta-feira (2) com a presença de mais de 600 banrisulenses. Todas as manifestações no encontro, realizado de forma virtual, validaram a avaliação da Comissão de Organização dos Empregados (COE) de que a proposta é insuficiente e, portanto, deve ser rejeitada na assembleia que ocorrerá nesta quinta (3) e sexta-feira (4).
Além de não atender a grande parte das reivindicações dos empregados, o Banrisul ainda ataca direitos históricos e apresentou uma proposta rebaixada para as gratificações de função, e nenhum outro avanço em cláusulas econômicas. Nem mesmo as pautas relacionadas à Cabergs e à Fundação Banrisul foram tratadas em mesa nesta campanha, por recusa do banco.
A gratificação oferecida pelo Banrisul às funções GF1 e GF2 foram consideradas um desrespeito pela COE: apenas 1% acima do índice de reajuste proposto na mesa nacional pela Fenaban.
“A atual administração (do Banrisul) tem concedido patrocínios altíssimos, mas quando se fala na valorização dos seus trabalhadores, não há espaço na negociação. Empurra o debate e chega até a última mesa sem nada de avanços nas cláusulas econômicas”, resumiu a coordenadora da COE e diretora da Fetrafi-RS, Raquel Gil, indicando a rejeição à proposta.
“Diversas vezes sinalizamos o que resolve a questão no Banrisul, mas infelizmente a direção do banco parece que decidiu dobrar a aposta e não nos ouviu nesta reta final de campanha. A insistência de manter esse valor tão abaixo do pedido pelos trabalhadores é uma demonstração de que o banco não acredita na nossa mobilização. Com toda a experiência que adquiri em mesa de negociação, pela primeira vez eu sinto que há mais disposição da nossa parte do que do banco de fechar um acordo”, destacou o presidente do Sindicato dos Bancários de Florianópolis, Cleberson Eichholz.
Outro ponto que foi reivindicado repetidamente pelos representantes dos trabalhadores foi a gratificação para os plataformistas. O Banrisul não aceitou o pleito e, além disso, pressionou para regulamentar os caixas eventuais na intenção de extinguir os caixas fixos, o que foi rechaçado pela COE.
Se já não bastassem todos os impropérios, o Banrisul ainda tentou interferir em ações jurídicas individuais e coletivas, buscando incluir uma cláusula de critérios de quitação no Acordo Coletivo. Para além disso, atacou o movimento sindical propondo retirar do ACT a exigência de homologação das rescisões nos sindicatos.
A proposta indefensável do banco não contempla o pedido de redução de jornada para os cargos que não receberam este direito no processo de reestruturação e ainda sugere ponto livre para esses cargos, que atualmente são de 8 horas, dando margem ao excesso de trabalho e redução do período de descanso.
“O Banrisul trouxe algumas respostas positivas à nossa pauta, mas nenhuma delas trata de remuneração e valorização dos colegas. A gratificação de função de seis horas é muito baixa e incoerente com a importância do Banrisul”, explicou o presidente do SindBancários Porto Alegre e membro da COE, Luciano Fetzner. “O Banrisul teve lucro recorde no ano passado. Não é razoável uma instituição com a potência do Banrisul não trazer um reajuste nos vales e na PLR adicional e na gratificação de seis horas. Nossa orientação é clara: rejeição massiva.”
A propósito da reestruturação, cabe dizer, também, que o Banrisul não cumpriu com o acordo, que venceu dia 31 de agosto e que busca incluir cláusulas que deveriam já estar regulamentadas dentro do ACT.
Pressão por uma proposta melhor
Os membros da COE, que representa os banrisulenses em todo o país, foram unânimes na indicação de rejeição à proposta de ACT. “É muito importante a gente sair unido para essa campanha salarial”, disse o dirigente do Sindicato dos Bancários do Vale do Caí, Gerson Kunrath. “A COE se mantém firme e unida e essa unidade nos dá a certeza de que estamos no caminho correto”, afirmou Orimar Pizzamiglio, do Sindicato dos Bancários de Vacaria.
“O resultado das negociações até agora não é o que a gente gostaria, mas o importante é que a gente permanece unido e toda a COE concordou com o encaminhamento. A gente merece e precisa ser mais valorizado no nosso trabalho”, afirmou Letícia Raddatz, presidenta do Sindicato de Santa Rosa e Região.
“Fomos à exaustão. Discutimos muito a pauta, debatemos com o Dieese. Somos muito gratos à base pelo apoio que nos deram na mobilização (de 20 de agosto), pois depois disso o banco trouxe alguns avanços, mas muito poucos. Então, agora é não à proposta do banco”, lembrou a diretora do Sindicato do Vale do Paranhana, Ana Maria Betim Furquim.
“Foi uma negociação muito difícil. Tivemos a paralisação, os colegas vieram conosco, ficamos felizes com a participação de todos. Mas o banco não veio com essa disposição. Não vemos outra forma se não a indicação de rejeição”, completou Clarissa Gatelli, do Sindicato de Caxias do Sul.
“Essa proposta tem que ser rejeitada e temos que tomar uma atitude para mostrar que existe um desconforto com o que o banco apresentou. Não faltou diálogo da nossa parte, mas o tom do banco foi completamente fora da realidade do que o bancário e a bancária estão pensando”, ressaltou Fabio Alves, dirigente da Fetrafi-RS.
“Não tem outro caminho depois de tudo o que fizeram com a gente, é rejeitar essa proposta do banco e dividir a responsabilidade com os funcionários do Banrisul. Se vier um não das assembleias, isso vai nos fortalecer.”, apoiou Luiz Carlos Barbosa, diretor jurídico da Fetrafi-RS.
Os bancários deverão participar das assembleias nesta quinta (3) e sexta-feira (4) para votar a proposta. A orientação da COE é votar NÃO ao texto do Banrisul.
Fonte: Fetrafi-RS



