Mais de 7 mil pessoas participam do Festival do Trabalhador e Trabalhadora em Pelotas (RS)
Mais de 7 mil pessoas participam do Festival do Trabalhador e Trabalhadora em Pelotas (RS)
Realizado no centro de Pelotas, no domingo (3), ao lado do Mercado Público, o Festival do Trabalhador e Trabalhadora confirmou a força da cultura como instrumento de mobilização social e política. Segundo a organização, mais de 7 mil pessoas passaram pelo evento ao longo do dia, em uma programação que reuniu música, feira de economia solidária, manifestações culturais e debate sobre pautas da classe trabalhadora.
Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), Amarildo Cenci, a integração entre cultura e luta social foi um dos principais elementos do sucesso do festival. “Quando a gente junta cultura, teatro, a poesia com as lutas e as pautas, a gente fortalece tudo e deixa as causas mais visíveis, mais palpáveis e as pessoas mais dispostas a participar”, afirmou. Ele destacou que o festival, realizado também em outras cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul, Santa Maria e Passo Fundo, cumpriu um papel fundamental de reafirmação das pautas da classe trabalhadora.

A escolha do local, no centro da cidade, próximo ao Mercado Público, também foi destacada como estratégica para ampliar o acesso e a diversidade do público. A cantora Xana Gallo ressaltou o impacto social do evento. “Foi muito significativo ver um público heterogêneo, com forte presença da população preta e das periferias. Isso é democratizar a cultura de verdade”, afirmou.
Valorização dos artistas locais
Xana também chamou atenção para a valorização dos artistas locais. “Recebemos um cachê digno, uma estrutura de qualidade, com palco e som excelentes. Isso nem sempre acontece. Muitas vezes artistas locais são invisibilizados, e aqui foi o contrário: fomos respeitados e valorizados”, destacou. Com mais de duas décadas de carreira, ela avaliou o festival como um marco positivo tanto para a comunidade quanto para os trabalhadores da cultura.
Do público, o cineasta Pedro Fassa destacou a importância do evento como espaço de integração. “É fundamental apoiar os trabalhadores, tanto os da cidade quanto os das feiras. É um espaço para lazer, consumo consciente e valorização da cultura local. Isso gera engajamento e fortalece esse ciclo entre trabalho e cultura”, afirmou, celebrando a diversidade da programação.
Feira de economia solidária
A feira de economia solidária foi outro ponto forte do festival, reunindo iniciativas que dialogam com trabalho, renda e identidade cultural. A artesã Lucélia Silva, da marca Negra Luarte, celebrou a interação com o público. “As pessoas vêm até a banca, perguntam sobre o processo da nossa arte, conhecem nosso trabalho. Isso fortalece muito”, contou.
Ela também destacou o caráter político do espaço. “Nosso trabalho está ligado à ancestralidade e à valorização cultural. E estar aqui também é um momento de refletir sobre nossas causas, como a escala 6×1 e o reconhecimento do artesanato como trabalho”, afirmou.
Com forte participação popular, diversidade cultural e engajamento político, o Festival dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Pelotas se consolida como um espaço de celebração, resistência e organização da classe trabalhadora, reafirmando que cultura e luta caminham juntas na construção de uma sociedade mais justa.
Fonte: Brasil de Fato
Foto: Jorge Leão



