Em participação na mesa de negociação do CEE Caixa, diretor do Sindicato critica mudanças unilaterais e denuncia impactos na saúde dos trabalhadores

A mesa de negociação entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a direção da Caixa, realizada na última quinta-feira (30), foi marcada por duras cobranças do movimento sindical diante das sucessivas mudanças implementadas pela empresa sem diálogo com os trabalhadores. A negociação contou com a participação do diretor de Comunicação e Cultura do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região e representante do Rio Grande do Sul na comissão, Lucas Cunha, que levou à mesa denúncias contundentes sobre os impactos das decisões da Caixa na vida dos empregados.

Nos últimos meses, a Caixa tentou implantar um projeto piloto no Rio Grande do Sul, incluindo a base de Pelotas e Região, que oferecia a migração da função de caixa para a função de assistente de varejo, o que representaria uma perda significativa de renda dos trabalhadores e trabalhadoras. “A opção desvantajosa para os bancários e bancárias teve adesão praticamente zero, demonstrando a insatisfação dos empregados com soluções paliativas ou que impactem negativamente a renda”, explica Lucas.

Diante disso, o movimento sindical cobrou uma posição clara da empresa e reforçou a necessidade de que qualquer mudança seja debatida previamente. Segundo Lucas, a postura da empresa tem aprofundado um cenário de insegurança, sobrecarga e adoecimento. “A Caixa vem promovendo mudanças profundas na forma de trabalho sem qualquer tipo de negociação. Isso tem gerado um ambiente de incerteza e pressionado diretamente a saúde dos colegas”, aponta. Como resultado da pressão, a Caixa se comprometeu a não dar continuidade ao projeto piloto e a levar futuras propostas para discussão na mesa de negociação.

Ao longo das negociações, também foi criticada a criação da meta de “Transações Migráveis”, uma métrica utilizada pelo banco que visa transferir o atendimento de clientes do ambiente presencial das agências para os canais digitais. Essa prática foi apontada pelo movimento sindical como uma forma artificial de aceleração do fim das funções de caixa. “O banco atua ativamente contra o direito de escolha do canal de atendimento por parte da população. A Caixa quer expulsar os clientes das agências e penaliza os bancários e bancárias por cumprirem a lei e prestarem um serviço essencial à sociedade”, expõe Lucas.

Em um cenário que os clientes desejam o atendimento presencial, mas são forçados para fora das agências, o movimento diminui artificialmente. O efeito colateral dessa ação é a diminuição das demandas dos caixas, que faz com que parte dos trabalhadores dessa função passem a colaborar em outras áreas do trabalho cotidiano do banco, como o atendimento e o setor social. Após isso, alguns desses trabalhadores são questionados devido a falta de autenticações. Ou seja, a instituição bancária pressiona, por meio das Transações Migráveis, que os caixas diminuam artificialmente suas próprias demandas e, posteriormente, questiona o por quê deles não registrarem as autenticações relativas às suas funções.

Outro ponto de forte crítica durante a mesa de negociação foi o programa “Super Caixa”, que intensificou a cobrança por metas e vem sendo apontado como mais um fator de desmotivação e adoecimento. Para o movimento sindical, trata-se de mais um exemplo de política que prioriza resultados às custas da saúde dos trabalhadores. O diretor também alerta para a situação dos empregados afastados pelo INSS, classificando o cenário como grave. “O que deveria ser um momento de recuperação tem se transformado em mais sofrimento. Os colegas enfrentam dificuldades para acessar seus direitos, sofrem descontos indevidos, têm problemas de comunicação com o RH e não existe um fluxo claro de acompanhamento durante o afastamento”, explica.

“Reconhecemos que há problemas também no INSS, mas a Caixa precisa atuar para minimizar esses impactos. Hoje, não há estrutura adequada — nem de pessoal, nem de sistemas — para atender os empregados nesse momento”, frisa Lucas. “Muitos relatam sensação de abandono e até a impressão de que a empresa dificulta o acesso aos direitos, levando alguns a desistirem deles ou até do próprio emprego”, complementa.

Além disso, foi cobrado o descumprimento de cláusulas do acordo coletivo por parte da Caixa, o que pode resultar na intensificação de medidas judiciais. A avaliação é de que a empresa, além de falhar na prevenção do adoecimento, também não garante condições mínimas de apoio quando os trabalhadores mais precisam. Para o sindicato, a situação é insustentável. “Não vamos aceitar que a Caixa siga adoecendo os trabalhadores. É urgente mudar essa postura”, reforça Lucas.

De acordo com o dirigente, o movimento sindical seguirá pressionando por respeito à negociação coletiva, transparência nas decisões e condições dignas de trabalho. O Sindicato também orienta que trabalhadores que enfrentarem problemas, especialmente em casos de afastamento, procurem a entidade para garantir seus direitos.

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