Fim da escala 6×1 será a principal bandeira dos sindicatos neste 1º de Maio

Movimentos sociais de diversas cidades já confirmaram os locais de concentração das atividades do 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores. Além de festejar a trajetória da luta de classe, os trabalhadores irão às ruas para pressionar o Congresso Nacional pela aprovação da redução da jornada de trabalho sem perda de direitos e fim da escala 6×1. Em Pelotas, o Festival dos Trabalhadores ocorre no Mercado Central de Pelotas.

A partir das 13h, com entrada gratuita, a cidade vai viver um grande encontro da classe trabalhadora. No palco, Produto Nacional, 50 Tons de Pretas e muito mais: Xana Gallo, Duglas e Hector, Maurel e Banda, Lady Rock, Dona da Noite, Renata Pires, Centro Odara, Jairo Klein Hector Rojas e Douglas Bessa acompanhados de Gustavo Baldi e Zé Everton Rozzini e VSQ Cia de Teatro. Além dos shows, ocorre feira de economia solidária, cozinhas solidárias e apresentações culturais.

Fortalecer a identidade da classe trabalhadora

O 1º de Maio foi instituído como Dia Internacional dos Trabalhadores em memória de milhares de homens e mulheres mortos nas manifestações de 1886, em Chicago (EUA), em confrontos violentos com policiais, porque reivindicavam a redução da jornada de trabalho de 17 horas para 8 horas diárias.

Atualmente, mais de 80 países celebram a data, incluindo o Brasil que a adotou oficialmente como feriado nacional em 1925.

“O estabelecimento desta data tem o papel de fazer um resgate histórico e de importância educativa fundamental: a de não nos esquecermos de que os direitos não foram dados, foram conquistados com luta e organização coletiva. O 1º de Maio também é importante para nos fazer refletir que, diante dos desafios impostos no cenário atual, precisamos fortalecer nossa consciência de classe que, infelizmente, foi enfraquecida nos últimos anos, colocando em risco avanços trabalhistas históricos e recentes”, explica Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidente da CUT Nacional.


Diminuição da carga horária e fim da escala 6×1


Segundo pesquisa Datafolha publicada no dia 14 de abril, 71% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1, quando o trabalhador trabalha seis dias consecutivos e descansa somente um dia. O debate sobre mudanças na jornada foi intensificado a partir do final de 2024, com o movimento “Vida Além do Trabalho” (VAT).

Mais recentemente, após a Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília, representantes da CUT e demais centrais sindicais entregaram ao presidente Lula um documento com dezenas de reivindicações, com destaque para a redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, e fim da escala 6×1.

Na mesma semana, o presidente da República havia encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de lei para acabar com a escala 6×1 em regime de urgência constitucional, o que limita em 45 dias o prazo máximo de tramitação do texto, tanto na Câmara quanto no Senado, com o acréscimo de 10 dias caso a proposta tenha alguma alteração em uma das casas legislativas.

“O que está em pauta vai mudar as condições de trabalho de toda a classe trabalhadora, principalmente das mulheres, que hoje são as mais sobrecarregadas com a dupla e tripla jornada, porque são as mais responsabilizadas nos cuidados da casa e dos filhos”, destaca Juvandia Moreira.

“Diversos artigos comprovam que, por ser exaustiva, a escala 6×1 prejudica a vida social, a saúde física e mental dos trabalhadores. Temos ainda experiências que mostram que o fim da escala 6×1 não compromete a produtividade, pelo contrário, o descanso melhora a produtividade e pode criar empregos. Portanto, a nossa bandeira pela redução da jornada, sem redução salarial, é uma bandeira boa para o país e com impactos fundamentais à qualidade de vida da população, que terá mais tempo com a família, para o lazer e para os estudos”, pontua.

Fonte: Contraf-CUT

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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