Saúde mental dos bancários é pauta urgente no Janeiro Branco

A saúde mental da categoria bancária está há muito tempo em estado de alerta, mas os números mostram que a situação segue se agravando. Neste contexto, o Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre o cuidado emocional, deixa de ser apenas uma campanha simbólica e se torna um problema preocupante.

O desmonte acelerado de agências, tanto em instituições públicas quanto privadas, tem ampliado a sobrecarga sobre quem permanece nas unidades que não foram fechadas. A redução de estruturas físicas leva à superlotação das agências remanescentes, aumento do fluxo de atendimento e intensificação das cobranças, criando um ambiente de trabalho cada vez mais adoecedor.

Os impactos aparecem de forma clara. Segundo o SmartLab (Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho), entre 2014 e 2024, o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais foi de 168%. Os dados se complementam, pois, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em 2024 as doenças mentais e comportamentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários e por 51,8% dos afastamentos previdenciários entre bancárias e bancários.

Os dados revelam um ambiente marcado por pressão constante e perda de sentido no trabalho. Mais da metade dos empregados (55%) relata se sentir pressionado a vender produtos desnecessários para os clientes. Para 41%, a ameaça de descomissionamento é permanente, enquanto 28% afirmam não enxergar propósito em suas atividades diárias.

O adoecimento já faz parte da rotina de muitos trabalhadores. Um em cada três bancários (32%) recorre a medicamentos por motivos relacionados ao trabalho. Nos últimos 12 meses, 37% relataram problemas de saúde mental, percentual que hoje supera os afastamentos por causas físicas, evidenciando a centralidade da crise psicológica no setor.

Mesmo com audiências públicas e debates institucionais sobre a situação dos trabalhadores do setor bancário, a prática nos bancos segue marcada pela negligência com a saúde mental, enquanto a cobrança excessiva por metas continua intacta. 

Fonte: Seeb Bahia

Posts Relacionados