Flávio Bolsonaro promete privatizar 95% das estatais, mas diz que concursos “não estão ameaçados”: as contas não fecham

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) diz uma coisa para o mercado e outra para quem sonha com a estabilidade de uma carreira pública. A contradição já aparece na comparação entre suas falas. Em fevereiro, durante o CEO Conference do BTG Pactual, o candidato afirmou que pretende privatizar 95% das estatais. “Não dá para ser tudo, mas vamos privatizar 95%”, confirma o presidenciável. Na época, ele defendeu que as vendas começassem já no primeiro ano de um eventual governo. Diante da repercussão nas redes, o discurso mudou de tom. Em 7 de outubro, Flávio afirmou que não pretende extinguir os concursos públicos e chamou de falsas as publicações que diziam o contrário.

Uma escolha para o funcionalismo

Para o Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região, o problema não está só no que o candidato diz, mas no que deixa de dizer. Quem promete vender quase todo o patrimônio público e, ao mesmo tempo, afirma que os concursos estão a salvo deve explicar como as duas coisas são compatíveis, quais empresas serão vendidas, o que acontecerá com os trabalhadores e como será garantida a reposição de pessoal nos serviços que permanecerem públicos.

Enquanto essas respostas não vierem, a categoria tem motivos para desconfiar de promessas genéricas.

O que a negativa não responde

Empresas públicas e sociedades de economia mista, como Correios, Caixa e Banco do Brasil, contratam por concurso público, por exigência constitucional. Uma vez privatizadas, passam a contratar como qualquer empresa privada, sem edital, sem critério impessoal e sem a garantia de igualdade de acesso. Privatizar 95% das estatais significa, na prática, fechar a porta dos concursos em quase todo esse universo. Não é preciso um decreto “acabando com os concursos” para que eles desapareçam.

Para os trabalhadores já contratados, a venda traz incerteza sobre empregos, planos de carreira e direitos conquistados em acordos coletivos.

Recuos e silêncio

No plano de governo entregue ao TSE, Flávio defende a retomada do Programa Nacional de Desestatização, a continuidade da reforma administrativa e o corte de cargos comissionados, mas o texto não detalha mudanças em estabilidade, progressão funcional ou realização de concursos. Também não há previsão de vagas nem cronograma de novas seleções. Lula, por sua vez, prevê a manutenção dos concursos públicos federais.

Quando o funcionalismo foi chamado a ouvir o candidato, a resposta foi o silêncio. Em consulta do jornal Extra aos presidenciáveis sobre propostas para o servidor, Flávio foi o único dos seis consultados que não respondeu às perguntas.

Redação: Vitor Valente/Seebpel

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