Selic prejudica desenvolvimento da economia brasileira
Especialistas afirmam não haver necessidade de a taxa Selic permanecer em patamares tão elevados (15%) e alegam que os dados da economia brasileira reforçam tal entendimento. Os juros altos afetam diretamente famílias de baixa renda e empresas, ao encarecer o crédito, frear investimentos e dificultar a recuperação econômica, mesmo em um contexto de demanda por estímulos à atividade produtiva.
Pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra que, de cada dez empresas industriais, oito enfrentam dificuldades para obter crédito, apontando os juros elevados como o principal obstáculo. Entre os empresários que tiveram problemas para acessar crédito de curto ou médio prazo, até cinco anos, 80% citaram o custo dos juros como o maior entrave, seguido pela exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas, mencionada por 32%, e pela falta de linhas de crédito adequadas, apontada por 17%.
As restrições atingem empresas de todos os portes. Quase um terço das que buscaram crédito de longo prazo não obteve sucesso, enquanto cerca de 20% das que tentaram crédito de curto ou médio prazo também não conseguiram. No curto e médio prazo, 26% das empresas médias, 21% das pequenas e 16% das grandes não tiveram acesso ao crédito. No longo prazo, o índice sobe para 43% entre médias empresas, 37% entre pequenas e 27% entre grandes.
A sondagem ouviu 1.789 empresas industriais e reforça que a manutenção de juros elevados segue como um dos principais entraves ao financiamento e ao desenvolvimento da economia real.
Fonte: Seeb Bahia

