Saúde do trabalhador em crise
Criado em 2014 e dedicado à saúde mental, o Janeiro Branco chega em um cenário que expõe a crise no mercado de trabalho brasileiro. Dez anos depois, em 2024, os números mais do que duplicaram, passando para mais de 440 mil afastamentos em razão de transtornos psiquicos e comportamentais, recorde da série histórica. Na comparação com 2023, os dados do Ministério da Previdência Social mostram que o avanço foi de quase 67%.
Entre 2021 e 2024, os auxílios-doença concedidos por esgotamento no trabalho saltaram de menos de mil para quase 5 mil. Só no primeiro semestre de 2025 foram registrados mais de três mil casos. Na prática, isto mostra que o adoecimento mental deixou de ser exceção e passou a fazer parte do cotidiano de quem vive do próprio trabalho.
O problema vai além dos números oficiais. Milhões de trabalhadores informais, terceirizados e “uberizados” adoecem sem aparecer em estatísticas, porque não contribuem com o INSS ou não conseguem comprovar o vínculo entre o trabalho e a doença. O resultado é uma massa de pessoas que continuam trabalhando doentes ou simplesmente perdem renda sem qualquer proteção.
A questão não se refere a uma área específica. Jornadas longas, cobranças constantes são parte da rotina do trabalhador brasileiro. O medo de perder o emprego e o constante discurso de fácil substituição de funcionários levam ao pânico e produção exacerbada, causando cansaço físico e mental, e consequentemente a sobrecarga psicológica, o chamado burnout.
Ainda que a campanha anual pelo cuidado mental some 12 anos, o burnout foi reconhecido como doença relacionada ao trabalho apenas em 2023, visto que o número de casos cresce exponencialmente. Mesmo assim, a pauta ainda é negligenciada pelas empresas, reforçando a importância de voltar as atenções à saúde do trabalhador brasileiro.
Fonte: Seeb Bahia

