Caixa fecha agência histórica do centro de Pelotas

A agência Princesa do Sul da Caixa Econômica Federal, localizada na rua General Neto, encerrou suas atividades na última terça-feira (30). Com quatro décadas de funcionamento, a unidade foi desativada após decisão unilateral da instituição. O Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região, lamentou a medida e alertou para os impactos sociais. “É um dia triste para a cidade de Pelotas e para os empregados da Caixa”, declarou Lucas Cunha, diretor de Comunicação e Cultura do Sindicato e trabalhador do banco público.

A decisão foi tomada sem diálogo prévio com trabalhadores ou clientes. O fechamento atinge diretamente:

  • Empregados da Caixa, que sofrerão redução de renda ao serem transferidos;
  • Trabalhadores terceirizados, alguns já demitidos;
  • Usuários da agência, que agora deverão se deslocar até a unidade da 15 de Novembro, aumentando a demanda local.

Sindicato cobra responsabilidade

O Sindicato afirma que o fechamento representa não só a perda de um ponto de atendimento, mas o desmonte de uma estrutura pública de políticas sociais que atende diretamente a população com serviços como FGTS, habitação e benefícios federais. “Toda vez que a Caixa fecha uma agência, ela fecha um braço das políticas públicas do governo federal”, afirma Lucas.

De acordo com o dirigente sindical, o banco se comprometeu a parar de fechar unidades neste ano. No entanto, anteriormente, descumpriu promessas feitas aos trabalhadores. “A gente já vem acompanhando com a empresa, diversos compromissos que a Caixa faz com os trabalhadores e com o movimento sindical, que não vêm sendo cumpridos. Então, apesar de haver o compromisso do banco, já há boatos de fechamentos de agências”, explicou Lucas, em entrevista ao programa Contraponto, da RádioCom Pelotas, nesta segunda-feira (5). O Sindicato cobra que, a partir de 2026, nenhum novo fechamento seja feito sem diálogo com as entidades sindicais e com a comunidade.

Falta de diálogo

A decisão tomada pela Caixa ocorreu sem discussão prévia com o movimento sindical e os trabalhadores. O Sindicato, que foi informado do fechamento após a decisão final e sem espaço para diálogo, questionou formalmente a Caixa por meio de três ofícios, solicitando esclarecimentos sobre o fechamento da unidade e seus impactos. Esses ofícios trataram, entre outros pontos:

  • Garantia de que nenhum empregado teria perda de renda, compromisso que não está sendo cumprido;
  • Redução de porte para alguns colegas;
  • Transferências que impactam diretamente a renda de empregados;
  • Situação dos trabalhadores terceirizados.

A Caixa não respondeu oficialmente aos questionamentos do Sindicato. Mesmo após tentativas de diálogo posteriores, a empresa não apresentou respostas formais nem cumpriu integralmente as promessas feitas.

Em reunião realizada junto à Caixa em 19 de dezembro, o movimento sindical levou o tema do fechamento de diversas agências no país. O caso da agência Princesa do Sul foi apresentado como exemplo de decisão mal tomada, justamente pela ausência de diálogo. Foi ressaltado que, se houvesse negociação prévia, outras alternativas poderiam ter sido consideradas, evitando prejuízos aos clientes, impactos negativos aos empregados e danos à comunidade atendida pela agência.

Impacto para os clientes

No início de dezembro, o Sindicato ouviu clientes diretamente afetados pela mudança. De acordo com os relatos, a agência Princesa do Sul era vista como referência de atendimento social, especialmente para quem precisava resolver questões relacionadas a FGTS, seguro-desemprego, benefícios federais e serviços que envolvem numerário. A principal preocupação da população era de que o fechamento gerasse desassistência e sobrecarga nas demais unidades da cidade, que já operam no limite.

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