Audiência pública na AL fortalece defesa do Banrisul público

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Correr atrás de novos negócios, buscar parcerias com outros bancos públicos. Inverter a tendência de desmonte dos bancos públicos iniciada em 2016 e que essas instituições públicas voltem a ser as financiadoras principais do desenvolvimento e da promoção da qualidade de vida.

O recado foi dado durante a Audiência Pública em Defesa da Banrisul Cartões, organizada pela Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo, da Assembleia Legislativa, na noite da quarta-feira, 24/11, no Plenarinho.

O presidente da Comissão, o deputado Zé Nunes (PT), começou a audiência pública fazendo relatos sobre as dificuldades enfrentadas pelo povo gaúcho e pela defesa do Banrisul e terminou mencionando as provas de que o Banrisul volta a viver um pesadelo histórico ante governadores neoliberais e privatistas como é o caso de Eduardo Leite, com auxiliares escolhidos a dedo: a gestão trabalha para acabar com o banco.

“A operação de venda da Banrisul Cartões está na ordem do dia do atual governo que fará de tudo para que isso se consolide. E tem um procedimento da própria gestão do banco. Administradores vieram de fora para prestar um serviço de venda do Banrisul a serviço do governador Eduardo Leite. Estamos muito cientes da intenção do governo e não aceitamos o esfacelamento do banco”, asseverou Zé Nunes.

Para o deputado estadual, o Banrisul precisa voltar a desempenhar um papel sob uma gestão que fortaleça o interesse público. “Acreditamos no Banrisul como ferramenta e instrumento público que pode viabilizar muitas políticas de desenvolvimento. O Rio Grande do Sul precisa retomar o protagonismo e voltar a ser referência. O Banrisul é uma ferramenta financeira fundamental para executar projetos de desenvolvimento.”

Ao final da audiência pública, o ex-diretor do Banrisul, Ricardo Hingel, entregou um estudo ao qual se dedicou por um ano. O estudo “O Banrisul e o Sistema Financeiro Atual e Futuro – Uma Preocupante Falta de Estratégias quanto ao Futuro do Banco e suas Consequências” é uma profunda análise sobre os números do Banrisul. De fato, o título é autoexplicativo. “Tem que ter estratégia e liderança na estratégia. O patrimônio era de R$ 11 bilhões e hoje é de R$ 4,5 bilhões. Alguma cosa não está legal”, ponderou Hingel.

“A Banrisul Cartões é a alma do Banrisul”

A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, fez um apelo para a defesa da Banrisul Cartões, dizendo que a Banrisul Cartões é “a alma do Banrisul”.  “A vida é feita de pequenos produtores, de funcionários públicos e que precisam do Banrisul. Defender esse banco é defender o povo do estado, é defender o futuro”, explicou.

A diretora descreveu o processo de desmonte do Banrisul sob o governo de Eduardo Leite. “Não temos nenhuma ilusão das intenções do governo do Estado e muito menos da direção do banco. A gestão hoje é uma gestão intencional para deixar o Banrisul tão depauperado que ele não vai ter mais condição de existir. É algo que está sendo gestado para vender o banco mais facilmente”, acrescentou.

“A venda da Banrisul Cartões é um crime. Quem sabe o que acontece, sabe que é um crime”

Diretor do SindBancários e vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis lembrou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa em 2017. Gimenis lembrou também das vendas de ações do Banrisul num momento ruim em que as ações estavam com preço em queda.

“Estamos travando essa luta contra o desmonte do Banrisul há muito tempo. Estão trabalhando para esfacelar o banco e talvez nem sobre o que vender no final. A venda da Banrisul Cartões é um crime. Quem sabe o que acontece, sabe que é um crime”, avaliou Gimenis.

Entenda por que a luta em defesa da Banrisul Cartões e do Banrisul é fundamental

> Governo José Ivo Sartori tentou encaminhar a venda do Banrisul. Vendeu parte das ações. Ensaiou a venda da Banrisul Cartões, com a tentativa de IPO em 2018. O governador Eduardo Leite anunciou em sua campanha política que não venderia o Banrisul. Mas vai vender tudo que puder, embora na campanha eleitoral tenha dito que não.

> A Banrisul Cartões tem 143,5 mil estabelecimentos conveniados ativos.

> A participação no lucro líquido do banco, a Banrisul Cartões respondeu por 24% dos lucros do Banrisul em média desde 2015.

> Em julho de 2021, em fato relevante, a direção do Banrisul comunicou fato relevante que iniciaria procedimento de venda. Chegou a contratar o banco JP Morgan.

Fonte e fotos: Imprensa SindBancários, com edição SEEB Pelotas e Região