Banrisul apresenta retrocessos para o teletrabalho

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Na última terça-feira, em reunião com representantes do Banrisul, o Comando Nacional dos Banrisulenses rejeitou desconto proporcional em ajuda de custo e cláusula de quitação judicial para período que antecede a implementação do teletrabalho. Outro tema que ficou pendente foi a redação do acordo de ponto eletrônico

Os quatro itens apresentados pelos negociadores do Banrisul como fundamentais para a finalização do acordo frustraram os representantes dos Banrisulenses na mesa de negociação. Uma nova reunião foi marcada para a terça-feira, 19/12.

Os dirigentes da Fetrafi-RS, de Sindicatos do Interior, de Florianópolis e do SindBancários registraram suas indignações durante a reunião temática por videconferência, rejeitando as mudanças propostas. Com isso, o que seria uma reunião para ajustar termos da redação de um acordo coletivo já alinhavado, tanto do teletrabalho quanto do ponto eletrônico, terminou em frustração e numa sensação de perda de tempo.

Basicamente, o banco apresentou quatro itens com as mudanças propostas para o teletrabalho. Confira:

1) Depois de firmar compromisso de definir que o trabalho presencial deveria ser de quatro dias por mês para quem optasse ou um dia por semana, o banco mudou de posição. A proposta dos dirigentes sindicais é que o funcionário não fique esquecido e possa ter contato com seus colegas para manter vínculos. O banco agora voltou atrás nessa ideia. Quer ele mesmo decidir quantos dias de trabalho presencial mínimo o bancário terá que cumprir. É o fim do espírito da cláusula protetiva.

2) Lembremos que o banco, na reunião anterior, apresentou proposta de pagar retroativamente a ajuda de custo de R$ 80 dos meses de novembro e dezembro. O Banrisul também propôs adiantar a semestralidade da ajuda de custo, depositando R$ 480 na conta de cada Banrisulense em home office ainda no mês de janeiro. Mas o que era calculado em mês e semestre passou a ser visto dia a dia. E o banco apresentou proposta de pagar a proporcionalidade. Quer dizer, receber os R$ 80 cheios vai depender dos dias que o bancário trabalhou de forma presencial ou em casa. Para fazer o cálculo do desconto, segundo a proposta do banco, basta dividir R$ 80 (valor da ajuda) por 30 (dias do mês). O resultado deve ser multiplicado pelo número de dias trabalhados pelo bancário. Se forem cinco dias de trabalho presencial no mês, deve-se multiplicar R$ 2,66 por 5. Se o banco determinar que o bancário trabalhe cinco dias no mês de forma presencial, ele terá R$ 13,30 descontados. Com todo o respeito ao banco, trata-se de mais um “troco de pinga” como foi dito na mesa de negociação da campanha salarial 2020 quando o banco quis retirar a 13ª cesta do ACT 2020-2022.

3) O banco aceitou incluir cláusula em que assume o compromisso de fornecer os equipamentos necessários para que o Banrisulense pudesse realizar seu trabalho em casa. Houve reunião específica para tratar de mobiliário e de equipamento de informática. O banco chegou a detalhar questões ergonômicas e formas de facilitar a chegada de cadeira para os colegas e como comprar notebooks para entregar na casa de quem está trabalhando. Agora, mudou de intenção. Quer incluir o trecho “a seu critério” na cláusula relativa aos equipamentos eletrônicos. Isso torna a cláusula mais subjetiva.

4) O banco também insiste em uma questão que os dirigentes sindicais batem pé. Os representantes da diretoria do Banrisul querem incluir uma cláusula de quitação judicial. O banco quer evitar qualquer risco de judicialização por eventual prejuízo que algum bancário possa ter tido desde que entrou em home office em 17 de março. Os dirigentes não veem necessidade de incluir cláusula de quitação, uma vez que os colegas já estão pagando mais por insumos como energia elétrica por conta do uso de equipamentos em casa e sem receber ajuda de custo.

Para o diretor da Fetrafi-RS, Fábio Alves, a reunião da última terça-feira (12) abalou os alicerces da construção de um trabalho de mais de três meses. E o que é muito grave também: ficou no ar um cheiro de que a diretoria do banco quis jogar nas costas dos dirigentes o desgaste de uma nova rejeição para colar a imagem nos dirigentes de radicais que não aceitam nada.

“Não ter a compreensão do todo é ruim. Fica inaceitável fazer a discussão do teletrabalho. Da mesma forma que o banco muda o caminho no meio do debate, vamos ter que reconstruir o nosso entendimento. A direção do banco mostrou má vontade e parece que não quer fazer um acordo coletivo de teletrabalho. Andamos um belo caminho e chegamos ao lugar errado. Além de mudar tudo na última hora, o banco está jogando nas costas dos dirigentes a responsabilidade”, pontuou o diretor da Fetrafi-RS, Fábio Alves.

Fonte: Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, com edição Seeb Pelotas

Arte: Seeb Pelotas