UNI Américas defende mais integração regional contra retrocessos

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A 5ª Conferência Regional da UNI Américas encerrou-se na última sexta-feira (4) com um chamado por maior integração dos países do continente para frear os retrocessos de um novo mundo do trabalho caracterizado por precarização, desemprego e retirada de direitos.

A UNI Américas é o braço nas américas da UNI Global Union, sindicato global que reúne entidades de 140 países, representando mais de 20 de milhões de trabalhadores dos setores de serviços em todos os continentes. A conferência começou na quinta-feira 3 e reuniu centenas de entidades filiadas, entre elas a Contraf-CUT, que participou do evento com centenas de delegados bancários.

Na conferência foi eleita a nova diretoria da UNI Américas, com a reeleição do dirigente sindical bancário brasileiro, Márcio Monzane, para a secretaria-geral da entidade, e o dirigente Hector Daer para a presidência. “Devemos organizar, depois organizar mais, e se isso não for suficiente, continuar organizando nossos setores nas empresas multinacionais presentes na nossa região”, declarou Monzane.

Sindicatos fundamentais

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, fez um pronunciamento no evento destacando que os sindicatos foram fundamentais para que os trabalhadores conseguissem o mínimo de proteção na pandemia. “A Contraf-CUT conquistou, logo no início da pandemia, que os bancários conseguissem ficar em casa, em home office, e hoje boa parte deles continua em casa. Na nossa Campanha Nacional nós conseguimos que a categoria não perdesse direito, fazendo a mobilização dos trabalhadores com o uso da tecnologia. Usamos a tecnologia a nosso favor”, disse.

Ivone destacou ainda que, apesar de os bancários não terem conseguido discutir o teletrabalho (home office) na mesa unificada da campanha (que reúne os bancos privados e públicos), o movimento sindical está conseguindo negociar a regulamentação do home office banco a banco. “Sabemos que as empresas estão aderindo ao teletrabalho como forma de reduzir custos, e os bancos também, e é fundamental que isso seja regulamentado com garantias para os trabalhadores.”

“No Brasil temos um governo fascista, negacionista e que tem feito de tudo para desmontar todo o movimento sindical. Por isso a nossa organização em torno da UNI Américas, enquanto trabalhadores do ramo financeiro, é vital para que a gente possa barrar essas ameaças e mudanças na vida dos bancários de toda a América Latina, e para que possamos barrar o avanço do neoliberalismo e do fascismo no nosso continente e na Europa também”, finalizou Ivone.

Comunicação como caminho

Neiva Ribeiro, a secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, também se pronunciou e destacou a moção 13 da 5ª Conferência que aborda comunicação. “Importantíssima, ainda mais nessa época de fake news. Nossa campanha foi feita usando a tecnologia em prol da nossa organização. Conseguimos fazer assembleias virtuais em todo o país, reunindo mais de 130 mil trabalhadores. Em outra época isso não seria possível.”

Neiva também chamou atenção para a necessidade de mais presença dos trabalhadores nas redes sociais, construindo uma narrativa que faça frente às fake news e à ideologia conservadora e neoliberal. “Precisamos usar uma linguagem mais jovem, uma linguagem mais acessível para sermos compreendidos e ouvidos e disputar essa narrativa com o fascismo, o conservadorismo e os extremismos de direita todos.”

Neiva ressaltou que a comunicação no Brasil é hegemonizada pelo mercado financeiro, pelas igrejas neopentecostais, pelo agronegócio e pelas grandes corporações. E citou o projeto da Rede Brasil Atual que inclui site, Rádio Brasil Atual e TVT (TV dos Trabalhadores), como uma iniciativa para fazer frente a isso. “São os veículos onde conseguimos colocar o nosso ponto de vista como trabalhadores, as questões de gênero, o problema do racismo, da LGBTfobia, destacamos a importância dos sindicatos na organização dos trabalhadores. Porque nos outros meios de comunicação nós não temos esses espaço: no Brasil, apenas 11 famílias controlam toda a comunicação que chega aos trabalhadores. Precisamos fortalecer um projeto de comunicação global, do ponto de vista da classe trabalhadora.”

Novos ventos

A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, também se pronunciou e apontou para a necessidade urgente de reagir contra os retrocessos que têm ocorrido no mundo, reafirmando valores fundamentais, como a justiça social, a inclusão, a defesa da democracia: “Ficou claro com a pandemia, que o neoliberalismo é injusto. É fundamental combater as desigualdades sociais, os ataques à democracia, e lutar por um novo projeto social. Já tivemos na América governos progressistas como o de Lula, no Brasil, e o de Cristina Kirchner, na Argentina. E passamos a viver retrocessos como o Bolsonaro aqui e o Trump nos EUA. Agora os bons ventos da mudança voltaram a soprar na América Latina e espero que juntos possamos ter uma integração regional que nos auxilie a fazer essa mudança em todos os países do continente. E só podemos fazer isso juntos”, disse.

Voz para milhões de trabalhadores

O ex-presidente Lula foi convidado especial do evento, e também ressaltou os retrocessos por que passa o mundo, com o recrudescimento do neoliberalismo. “Efetivamente estamos perdendo parte das coisas que conquistamos no século 20”, disse, ao apontar a organização global como um caminho para frear esse declínio. “Considero louvável e muito importante que a UNI Américas se preocupe em discutir a questão do mundo do trabalho e das condições dos trabalhadores em todo o mundo. E gostaria de pedir a vocês, companheiros da UNI Américas, que sejam a voz de milhões e milhões de seres humanos que trabalham todos os dias”, declarou.

Conferências da UNI

Além da 5ª Conferência Regional da UNI Américas, foram realizadas também nesta semana a 5ª Conferência da Juventude da UNI Américas, na terça-feira (1º), e a 6ª Conferência da UNI Américas Mulheres, na quarta-feira (2). Na próxima semana, dias 10 e 11, acontece a Conferência da UNI América Finanças.

Fonte: Contraf-CUT