BNDES ataca organização dos trabalhadores

BNDES-Sede-Fachada-02Jul2019

Banco quer retirar direito à liberação de dirigentes das associações de empregados, desconhecer os delegados sindicais e acabar com a transparência de informações que contribuem com a organização e representação sindical

Durante uma segunda reunião de negociações com a Comissão de Negociações dos empregados, ocorrida ontem, quarta-feira (26), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou propostas que atacam o direito da livre organização dos trabalhadores, segundo o representante da Contraf-CUT nas negociações com o banco, Vinícius de Assumpção. Além disso, o banco se nega a assinar um acordo por dois anos.

O vice-presidente da Contraf-CUT disse que o banco fez uma série de ataques ao Acordo Coletivo de Trabalho, principalmente às cláusulas de organização sindical e, especificamente, com relação às associações de funcionários. São propostas de retirada do direito de liberação de dirigentes, do desconto das mensalidades dos associados em folha e até do direito de reunião de organização de funcionários e o uso do auditório do banco pelas associações. O banco também não quer reconhecer os delegados sindicais.

“As associações fazem parte de nossa estrutura nacional de organização sindical. Ao tirar o direito de representação das associações, é o movimento sindical como um todo que está sendo atacado”, completou Assunção, ao observar que, dos cerca de 2.600 funcionários que compõem o quadro de trabalho do sistema BNDES (o banco, a Finame e o BNDESPAR), cerca de 2.000 fazem parte das associações de funcionários.

“As associações são extremamente importantes para a organização sindical, dada à representação e legitimidade que elas possuem”, afirmou o dirigente. “A última assembleia contou com a participação de 1.993 associados, que é quase 100% dos associados e cerca de 77% de todos os funcionários”, observou. “Talvez seja exatamente por isso que o banco está atacando as associações”, concluiu.

Vinícius disse, ainda, que o banco propôs a retirada do ACT ao direito à informação aos dados relativos a emprego, cargos e salários e informações inerentes ao cotidiano do trabalhador, que contribuem para organização sindical.

“Essa falta de democracia e de transparência é significativa. Demonstra a cara da gestão que temos no banco e na Presidência da República”, criticou.

Outras cláusulas em discussão

Além das cláusulas sindicais e associativas, a reunião de ontem tratou sobre cláusulas de saúde, previdência e gerais.

O banco quer retirar do Acordo Coletivo de Trabalho questões relacionadas às alterações no plano de saúde e no estatuto da Fundação de Assistência e Previdência Social (Fapes) do BNDES, limitando o poder dos trabalhadores.

Calendário de negociações

Estão previstas reuniões para esta quinta e sexta-feira (27 e 28). O banco propôs discutir, nesta quinta, as cláusulas econômicas e assistenciais, e na sexta, as cláusulas institucionais e garantia de direitos.

Com informações Contraf CUT

Foto: Sérgio Lima/Poder 360