Descaso com a categoria: Bancos querem reduzir PLR

You ar our heroes. (2)

Mesmo diante da maior crise sanitária já enfrentada, na história recente, os Bancos mantém sua política de desrespeito aos empregados, responsáveis diretos para que as instituições financeiras se mantenham lucrativas. Embora a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) alegue que seria necessário reduzir a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em até 48%, devido à uma redução na lucratividade, o balanço do Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil superou os R$ 28 bilhões no primeiro semestre deste ano.

É importante lembrar, também, que o governo Bolsonaro se mostrou bastante benevolente com os Bancos, logo no início dos primeiros contágios do covid-19 no Brasil, liberando mais de R$ 1 trilhão para o setor financeiro. O comando Nacional dos Bancários deixou claro que está consciente desse contexto e alertou que a categoria não irá permitir que se reduza um direito conquistado em mesa de negociação.

Para os grandes tudo, para os pequenos nada

O cenário econômico adverso, enfrentado pelos pequenos e médios empresários, não permite que a maior parte da população compreenda o abismo que existe entre os grandes e os médios/pequenos empresários. O sistema financeiro e o agronegócio, nem de longe, enfrentam qualquer ameaça de prejuízo.

Não é de hoje que os bancários sofrem os constrangimentos causados pela falta de comprometimento dos Bancos com os clientes e sociedade de modo geral. As queixas ouvidas pelos empregados dos bancos, que deveriam ser direcionadas aos donos destas instituições financeiras, é consequência direta da política de redução de funcionários e fechamento de agências, além das cobranças de metas abusivas e do assédio pelo qual os bancários passam, no exercício de suas funções, que têm crescido durante o período da Pandemia.

Proposta da Fenaban

A proposta da Fenaban reduz de 7,2% para 7% o limite mínimo de distribuição do lucro líquido no primeiro semestre em exercício. As reduções não param. A antecipação atual é de 54% do salário, mais fixo de R$ 1,474,38, com limite individual de R$ 7.909,30. Na proposta dos bancos, ficaria em 43,2% do salário, mais fixo de R$ 1.179,50, com limite individual de R$ 6.327,44.

A regra básica da PLR anual tem atualmente 90% do salário mais fixo de R$ 2.457,29, com limite individual de R$ 13.182,18. Pela proposta da Fenaban, cairia para 72% do salário mais fixo de R$ 1.965,50, com limite individual de R$ 10.545,74.

Outras perdas também foram apresentadas na reunião. O percentual da parcela adicional, por exemplo, retornaria ao patamar de 2012. Os valores fixos teriam redução de 20%, retornando ao patamar entre 2014 e 2015. O acelerador da regra básica retornaria ao patamar de 2007.

Os representantes dos bancos preferiram discutir apenas PLR, deixando de lado pontos como aumento real de salário, emprego, saúde e contratação do teletrabalho. Eles se comprometeram a apresentar o restante de suas propostas para a negociação na próxima reunião, marcada para quinta-feira (20).

Tabela das reduções da PLR pela proposta da Fenaban por faixas salariais no Bradesco, Itaú e Santander)

Com informações da Contraf-CUT