BB desrespeita bandeiras e autoriza retorno de bancários que coabitam com grupos de risco

marcelo camargo agencia br

População gaúcha ficará mais exposta à contaminação, em meio ao aumento de casos de COVID-19

Em meio ao crescimento alarmante dos casos de COVID-19 no país, o Banco do Brasil enviou ontem, terça-feira (21), um comunicado aos gestores das suas dependências que autoriza-os a exigirem o retorno ao trabalho presencial dos funcionários que coabitam com pessoas do grupo de risco, a partir do dia 27 de julho.

“Isso é um absurdo. O banco está sendo irresponsável deixando isso a critério dos gestores. Não teve nenhuma negociação com os sindicatos nesse sentido. Isso é expor a vida dos familiares ao risco”, apontou a diretora do SindBancários Porto Alegre e Região, Bianca Garbelini.

Segundo a diretora da Mulher Trabalhadora da Fetrafi-RS e funcionária do Banco do Brasil, Cristiana Garbinatto, quem vem sofrendo mais pressão são os funcionários vinculados à Vice-presidência de Varejo do Banco, que parece ignorar a curva de crescimento do coronavírus e o colapso da saúde. A Comissão de Empresa já está buscando o agendamento de uma reunião com o BB para tratar do assunto.

Conforme Cristiana, a situação é ainda pior para os gaúchos e gaúchas. “O Rio Grande do Sul tem uma situação diferente de boa parte do país: bandeira vermelha em quase todas as regiões e indo para a preta em Porto Alegre. Logo, os gestores que quiserem encher as agências novamente precisam ser lembrados disso”, ressalta. “Portanto, o banco desrespeita não só os seus funcionários e funcionárias, mas toda a população gaúcha ao fazer que os colegas voltem ao trabalho nas agências”, critica.

De fato, segundo o último boletim divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde do RS no Twitter, o estado registrou ontem 2.438 novos casos de Covid-19 e 64 óbitos ocorridos desde o dia 13 de julho. O total de casos confirmados chegou a 49.840, com 1.349 mortes.

Em todo o estado, a taxa de ocupação de leitos de UTI chegou a 76,6% e, em Porto Alegre, a lotação nas unidades de terapia intensiva já chegou a quase toda a sua capacidade: 91,92%. No Hospital de Clínicas, referência para o atendimento aos pacientes com infecção por coronavírus, não há mais leitos.

Fonte: Fetrafi RS

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil