Falta de condições de trabalho agravam preocupação de profissionais da Saúde

Movimentação de idosos no posto da 612 Sul para Vacinação contra Influenza

A falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) adequados é um dos principais problemas que os profissionais de saúde estão enfrentamento no trabalho de atendimento e cuidados de pacientes da Covid-19. Com o aumento do número de mortes desses profissionais, que começa a se verificar no Brasil, repetindo o que está ocorrendo em outros países, esse problema assume proporções cada vez mais graves. Não se trata apenas da falta de EPI’s, mas também da qualidade dos mesmos. Ao receberem equipamentos que não são considerados suficientemente seguros, alguns profissionais estão tomando a iniciativa de comprar seus próprios EPI’s (como macacões mais seguros) e reclamam que estão sendo impedidos de usá-los por falta de garantia de que não estariam contaminados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha que profissionais da saúde, expostos a pacientes suspeitos de contaminação pelo Coronavírus, devem utilizar, além de luvas, aventais e óculos ou protetores faciais, respiradores do tipo N95 (com certificação NIOSH), PFF2 (com certificação europeia) ou equivalente, para se proteger. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou, por meio de uma nota técnica, as orientações destinadas aos serviços de saúde sobre as medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas na assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção. As informações atualizadas podem ser consultadas na Nota Técnica 04/2020, da Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS), vinculada à Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES) (ver abaixo um dos quadros da nota referente ao uso de EPI’s por profissionais da Saúde).

Liberação de recursos depende de portaria do governo federal

A partir da morte da técnica de enfermagem Mara Rubia, de 44 anos, do Grupo Hospitalar Conceição, de Porto Alegre, na terça-feira (7), aumentou ainda mais a preocupação dos profissionais que estão expostos direta e diariamente ao vírus. Na quarta-feira, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) disse que a morte de Mara Rubia não é um caso isolado e expõe a “situação calamitosa” a que estão submetidos os hospitais de Porto Alegre. Melchionna denunciou que apesar de já haver verbas, garantidas por meio de emendas parlamentares, para hospitais do Rio Grande do Sul visando a compra de EPI’s, os recursos ainda não foram liberados por falta de uma portaria do Governo Federal.

Há cerca de um mês, assinalou ainda a deputada, os sindicalistas do Sindisaúde/RS e do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) estavam em campanha permanente nos hospitais de Porto Alegre e chegaram a entrar na justiça contra o Grupo Hospitalar Conceição, o Hospital de Clínicas e a Santa Casa para garantir os EPIs aos trabalhadores e o afastamento de trabalhadores com mais de 60 anos, algo que até agora não foi feito. Melchionna destacou que embora tenham feito essa campanha vestidos com macacões, máscaras e luvas, praticamente toda a diretoria foi contaminada.

Compete ao empregador fornecer os EPI’s, diz sindicato

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) lançou a campanha “EPI Já” e disponibilizou um telefone (0800 512 569) que está funcionando 24 horas para receber denúncias de falta de equipamentos adequados em hospitais e unidades de saúde.

O Sindicato informou ao Sul21 que tem recebido diariamente várias denúncias da Região Metropolitana e do interior do Estado e que está monitorando a situação dos municípios envolvidos nestas denúncias. Segundo o Simers, os maiores problemas referem-se à falta de máscaras e aventais. O sindicato disse ainda que “vem seguindo as orientações preconizadas pelo Ministério da Saúde, para utilização de EPI’s, buscando sempre a melhoria das condições de trabalho para os profissionais, para que possam atender de maneira adequada a população”.

Sobre o relato de profissionais que estariam comprando seus próprios EPI’s e sendo impedidos de utilizá-los, o sindicato informou que vem recebendo denúncias sobre isso e vêm apurando os fatos para tomar as providências cabíveis. “É importante esclarecer”, afirmou o Simers, “que compete ao empregador ofertar os Equipamentos de Proteção Individual e todas as medidas de prevenção e controle de infecção”. “Estamos atuando fortemente”, assegurou a entidade, “na cobrança dos gestores, a fim de garantir o fornecimento adequados dos EPI’s para cada serviço”. Por outro lado, ressaltou que o sindicato não precisaria orientar os médicos sobre a utilização de recursos próprios para a compra de EPI se os gestores fornecessem esse material adequadamente. “Sabemos que há escassez de EPI no mercado, mas é preferível que o médico compre e leve o seu EPI do que fique exposto”, disse ainda a entidade.

Com informações Sul21