Reforma da Previdência é boa para quem?

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A reforma da Previdência é um dos principais objetivos do próximo governo. Mas ainda não é possível saber os detalhes das mudanças pretendidas. O plano de governo da campanha vitoriosa é extremamente vago em relação ao tema. O documento propõe a introdução de um sistema com contas individuais de capitalização.

O modelo é semelhante ao adotado no Chile. O sistema de pensões do país sul-americano está falido e enfrenta forte resistência organizada da sociedade, que exige sua reestatização.

Em 1981, foi implantado o atual sistema de previdência privada, que obriga todos os trabalhadores chilenos a destinarem mensalmente 10% de seus salários em uma conta de capitalização individual gerida por empresas privadas, chamadas de Administradoras de Fondos de Pensiones (AFP). E sem nenhum aporte patronal.

O argumento utilizado na época para convencer que o novo regime de previdência beneficiaria os trabalhadores foi de que, ao término da vida laboral, os pensionistas receberiam cerca de 80% do equivalente à sua remuneração ao longo da vida ativa.

Mas 37 anos depois, a realidade é muito pior do que a projetada. Atualmente, metade dos idosos não se aposentam. E 90% dos que se aposentam recebem no máximo dois terços do salário mínimo, o que equivale a R$ 977, segundo José Ricardo Sassesseron, especialista em Previdência e diretor da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar).

No Brasil, a Previdência Social é sustentada por três pilares de financiamento: trabalhador, empresas e governo. Mas só os trabalhadores cumprem rigorosamente com esse pacto. O governo destina parte dos seus recursos para outros fins e muitos empresários deixam de pagar, resultando no déficit do sistema.

Arte: Thiago Akioka/SPbancarios

Fonte: SPbancários