Após mais de um ano de cobrança, Itaú segue sem negociar e mantém aposentados reféns de plano de saúde com custos abusivos

Há mais de um ano, o movimento sindical cobra do Itaú uma solução para os altos custos do plano de saúde dos trabalhadores aposentados. Mesmo após diversas reivindicações e reuniões de negociação, o banco segue sem apresentar respostas concretas, enquanto milhares de aposentados enfrentam dificuldades para manter o benefício justamente no momento em que mais precisam de assistência médica.

Ao encerrar a vida laboral, os trabalhadores deixam de contar com a participação do banco no custeio do plano de saúde, prevista durante a ativa pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, e são obrigados a migrar para planos individuais. Nessa modalidade, as mensalidades chegam a R$ 2 mil por pessoa e ultrapassam R$ 4 mil para casais, tornando inviável a permanência no convênio para grande parte dos aposentados.

Para o representante dos trabalhadores do Rio Grande do Sul na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, Eduardo Munhoz, a postura do banco é um desrespeito com os trabalhadores, ao colocar o lucro acima do direito à saúde.

“Durante décadas, eles contribuíram para garantir os altos lucros do Itaú. Agora, no período em que mais precisam de cuidados, o banco impossibilita que grande parte dos aposentados realize os tratamentos de que necessita por não ter condições de pagar o plano. Isso é uma injustiça após tantos anos de dedicação”, denuncia.

Itaú não responde às reivindicações

A última reunião entre a COE do Itaú e o banco que abordou o tema ocorreu em 11 de março. Na ocasião, o Itaú informou que aplicaria reajustes de 9,8% para a Fundação Itaú e de 10,37% para a Unimed, alegando aumento da sinistralidade.

Os representantes dos trabalhadores contestaram os reajustes e denunciaram os valores abusivos cobrados dos aposentados. Também reivindicaram o fim da cobrança sem limite de coparticipação para os empregados da ativa e a atualização dos valores de reembolso, defasados há anos.

A COE solicitou ainda a apresentação dos dados que justificam os aumentos e a abertura de uma mesa específica de negociação sobre o tema. Passados quase quatro meses da reunião, o Itaú não apresentou qualquer resposta às reivindicações, mantendo o impasse e penalizando os trabalhadores.

Banco pode negociar, mas prefere se abster

Segundo o integrante da COE, o Itaú alega que a legislação impediria o subsídio do plano de saúde dos aposentados. Mas o argumento não se sustenta, pois a Reforma Trabalhista de 2017 prevê que o negociado pode prevalecer sobre o legislado, permitindo a construção de condições mais vantajosas por meio da negociação coletiva.

Além disso, outras instituições financeiras já garantem esse direito aos aposentados, como Saúde Caixa (Caixa Econômica Federal), Cassi (Banco do Brasil) e Cabesp (Santander, para oriundos do Banespa). Isso demonstra que existem alternativas viáveis quando há vontade de negociar.

Mobilização continua

Diante da intransigência do banco, o movimento sindical intensificou a pressão. Já foram encaminhadas denúncias ao Ministério Público (MP), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Procon sobre os prejuízos causados pelas mudanças no plano de saúde dos aposentados. 

As entidades também buscaram apoio de parlamentares para a realização de audiências públicas sobre o tema. A reivindicação é que o Itaú retome imediatamente a negociação e apresente uma solução que assegure aos aposentados a manutenção do plano de saúde de modo semelhante ao existente durante a vida laboral. 

“No Encontro Nacional, incluímos na pauta a necessidade de rediscutir o plano de saúde dos empregados da ativa e dos aposentados. Esperamos que o Itaú esteja disposto a abrir esse diálogo, pois é uma reivindicação de grande importância para a categoria. É fundamental garantir condições dignas de acesso à saúde, especialmente para quem dedicou anos de trabalho ao banco e, na aposentadoria, enfrenta dificuldades para manter esse direito”, destaca Munhoz.

Os trabalhadores do Itaú aprovaram a pauta de reivindicações no encontro realizado em 19 de junho. O documento foi entregue ao banco em 1º de julho, marcando o início das negociações específicas da Campanha Nacional 2026.

O movimento sindical defende que garantir um plano de saúde acessível na aposentadoria é uma questão de valorização de quem ajudou a construir a história do banco de respeito a um direito que não pode ser tratado como privilégio.

Fonte: SindBancários de Porto Alegre e Região.

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