O Brasil real desmente o Brasil de ‘economia pujante’ de Bolsonaro

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O senhor que deveria presidir o Brasil, mas está há quase quatro anos fazendo campanha pela reeleição, disse no dia 7 de setembro, dia do bicentenário da Independência, que ele usou para fazer campanha eleitoral, que a economia do país está bombando, ao contrário do que dizem as estatísticas oficiais do Brasil real. Mais uma distorção do presidente que mais mente na história do país.

“Quando parecia que tudo estaria perdido para o mundo, eis que o Brasil ressurge, com uma economia pujante”, disse Bolsonaro a seus apoiadores.

Mas no Brasil real, o que todos veem é a fome, o emprego sem direitos e queda no poder de compra, que há um ano vem sendo corroído pela inflação, em especial a dos alimentos que afeta mais os  trabalhadores e as trabalhadoras mais pobres, ignorados por Bolsonaro, contam outra história. 

Uma história que o presidente diz não ver nas ruas. Ele não vê 33 milhões de pessoas passando fome no país. Não vê que 6 em cada 10 brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar. Ou seja, se comem no almoço, não comem na janta, ou passam pelo menos um dia da semana se virando com ossos de frango, carcaça de peixe ou menos que isso. São 125,2 milhões de pessoas nessa situação —aumento de 7,2% desde 2020 – mas ele está completamente cego para essa tragédia porque só enxerga seu projeto pessoal de poder.

Manter a presidência da República é essencial para o clã Bolsonaro se livrar da Justiça.

Isso porque o presidente, seus filhos e até a ex-mulher Ana Cristina têm de responder a crimes como o da rachadinha, a compra de 51 imóveis em dinheiro vivo, o comportamento do mandatário durante a pandemia, o uso de dinheiro público para promoção pessoal como todo mundo viu no 7 de setembro e tantos outros.

É por isso que Bolsonaro também não vê o sofrimento da classe trabalhadora que amarga empregos sem direitos, salários baixos e meses e meses de desemprego. Para ele, só importa a reeleição que manterá a família longe da cadeia.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, 39,3 milhões de brasileiros estão na informalidade, sem direitos a férias, 13°, benefícios previdenciários como auxílio-doença ou salário-maternidade. Se adoecer ou engravidar, o trabalhador e a trabalhadora ficam sem renda e passam a fazer parte das estáticas dos que passam fome se não tiverem ajuda da família ou vizinhos.

A inflação, que ficou em dois dígitos de setembro de 2021 a julho deste ano, corroeu o poder de compra dos brasileiros ao longo do último ano. Leio nos jornais que teve deflação. Mas a quem essa deflação beneficia exceto aos mais ricos? Só a cebola subiu 91,21% em 12 meses. O leite longa vida subiu 60,81%, o óleo diesel (53,16%), a manga (47,05%), o café moído (46,34%) em apenas 12 meses.

O trabalhador que ganha um, dois, três salários mínimos já deixou de comprar esses produtos há meses.

Ah, mas tá caindo, insistem os defensores da política da morte. Está, sim, mais ainda tem muito para cair para o povo que está sem aumento real, como é o caso de quem ganha salário mínimo – Bolsonaro acabou com a política de valorização do salário mínimo criada por Lula -; e os milhares com os parcos salários congelados ou que fazem bicos para sobreviver poderem voltar a entrar em um supermercado e sair com o carrinho cheio de produtos de primeira necessidade, essenciais para alimentar decentemente a família.

Está caindo também porque, por medo de perder a eleição no primeiro turno, Bolsonaro aparelhou a Petrobras e a cada subida de Lula nas pesquisas a estatal reduz o preço da gasolina. Mas por quanto tempo essa maracutaia se sustenta? Ele não pensa em uma política sustentável para a petroleira porque não tem projeto para área nenhuma do governo, nem para os essenciais como emprego decente, acesso facilitado ao crédito com juros mais baixos, infraestrutura etc.

Por quanto tempo essa enganação se sustenta sem  que a PPI criada depois do golpe seja extinta? Não há solução efetiva para a queda dos preços dos combustíveis sem o fim da PPI, a política de preços da Petrobras que atrela os reajustes de combustíveis aos aumentos do barril internacional de petróleo e à cotação do dólar. A PPI foi criada por Temer e mantida intacta por Bolsonaro.

Como diz nosso presidente Lula, ganhamos em real e pagamos em dólar para encher o tanque dos nossos carros.

No Brasil real, outra tragédia atinge as famílias brasileiras, as dívidas que deixam chefes de família angustiados.

O percentual de famílias com dívidas a vencer atingiu 79% no país em agosto, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio, a CNC. Quase 30% estão inadimplentes, ou seja, não pagaram suas dívidas e ficaram com os nomes sujos.

Para aproximar o Brasil real do imaginário de Bolsonaro é preciso ter empatia, sentir a dor do outro e não dizer coisas como “não sou coveiro”, como ele disse no auge da pandemia.

É preciso ter projeto de geração de emprego decente, um programa social eficiente e sustentável.

É preciso devolver os direitos sociais e trabalhistas sequestrados pelo golpe de 2016.

Para o Brasil voltar a ter uma economia pujante de fato, é preciso ter um projeto de país e não um projeto pessoal de quem quer se eleger para não ser preso junto com os filhos.

E todos nós sabemos quem tem esse projeto pronto, tem empatia, qualificação e competência para fazer o país voltar a crescer e distribuir renda, gerar empregos de qualidade, devolver direitos sociais e trabalhistas sequestrados depois do golpe. 


* Vagner Freitas é vice-presidente da CUT