Bolsonaro estimula paralisação de caminhoneiros, afirma deputado

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Na a manhã desta quinta-feira (9) caminhoneiros realizam bloqueios em pelo menos 15 rodovias federais, de acordo com boletim do Ministério da Infraestrutura com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Durante a noite, o presidente Jair Bolsonaro divulgou áudio pedindo aos caminhoneiros a liberação das estradas, em função dos prejuízos econômicos causados.

Os caminhoneiros, contudo, chegaram a duvidar da autenticidade da fala do presidente, alegando se tratar de um áudio antigo, referente à grave ocorrida em 2018. Em função disso, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, gravou vídeo nas redes sociais confirmando as declarações dadas pelo presidente, e pedindo “serenidade” aos caminhoneiros.

Ainda assim, de acordo com o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), trata-se de “jogo de cena” da parte do presidente. Tatto destaca que tanto os bloqueios de caminhoneiros, assim como os atos antidemocráticos de 7 de setembro foram financiadas por setores do agronegócio.

“É simplesmente uma pauta de interesse específico do próprio governo Bolsonaro, que quer cada vez mais um governo fechado, para ele implementar uma ditadura”, disse Tatto em entrevista a Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual. “Bolsonaro fez essa fala (desmobilizando os caminhoneiros), mas todo mundo sabe que, por baixo, está mobilizando para paralisar”, acrescentou.

Para o deputado, essa ação é demonstração de fraqueza de um governo “totalmente acuado”, que tenta lançar mão de setores aliados e militantes para tentar mostrar força. “Agora, o setor de transporte é sensível. Daqui a pouco pode haver falta de combustíveis e alimentos em algumas cidades. Além de atrapalhar todo o escoamento da produção para exportação. Então vai, sim, ter consequências econômicas, aprofundando a crise”, alertou.

Movimentações na Câmara

Tatto também anotou que cresce a pressão por parte dos parlamentares para que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), dê andamento a um dos mais de 130 pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Além disso, ele diz que um novo pedido de afastamento deve ser protocolado, com base nas recentes declarações do presidente, afirmando que não vai cumprir decisões proferidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Há toda uma movimentação na Câmara, que está indo além da oposição, com relação à necessidade de abertura de processo de impeachment. Evidentemente ainda não temos todo o apoio necessário para o processo de impeachment, mas é necessário abrir. Porque o crime cometido pelo Bolsonaro, ao dizer que não vai respeitar decisão do Supremo, é um crime que ninguém pode cometer”, afirmou o parlamentar.

Contudo, Tatto destaca que Lira é o principal “líder” do Centrão. Esse grupo hoje controla áreas importantes do governo Bolsonaro. O ministro da Casa Civil é outro expoente desse grupo. Ele controla, por exemplo, a distribuição de bilhões de reais do Orçamento em emendas para os deputados. Nesse sentido, para buscar furar esse bloqueio, o parlamentar aposta que o STF pode estabelecer prazo para que Lira se posicione em relação aos pedidos de impeachment. Ele comparou à decisão do STF que obrigou a instalação da CPI da Covid no Senado, enquanto que o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), também tentava obstruir a instalação da comissão.

Marco temporal

Tatto destaca, ainda, as tensões em torno do julgamento do marco temporal pelo STF. Assim como os atos antidemocráticos e a paralisação dos caminhoneiros, essa é outra pauta de interesse do agronegócio, segundo ele. “É esse agronegócio que defende a tese que só tem direito à terra indígena os povos que estavam no território no dia 5 de outubro de 1988. Na Constituição não tem data nenhuma, garantindo a demarcação do território ocupado tradicionalmente. Muitos desses povos foram expulsos sob tiros”, declarou. Ele disse que espera que os ministros da Suprema Corte tomem logo uma decisão, afastando o que ele considera ser uma tese “esdrúxula”.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Fonte: Redação Rede Brasil Atual