Plano de vacinação de Bolsonaro é insuficiente e tem assinaturas não autorizadas

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Com o país se aproximando dos 7 milhões de pessoas contaminadas, e mais de 181 mil vidas perdidas para a Covid-19, o governo Bolsonaro (ex-PSL) entregou para o Supremo Tribunal Federal (STF) um plano de vacinação com 36 assinaturas não autorizadas, sem previsão de início da campanha de imunização e com apenas 108,3 milhões de doses previstas para  51 milhões de pessoas que fazem parte de grupos prioritários.

O plano foi apresentado, no último sábado (12), pelo advogado-geral da União, José Levi, ao ministro Ricardo Lewandovski, relator das ações que tratam da obrigatoriedade da vacina e outras medidas de combate à pandemia no STF.

No dia seguinte, especialistas que integram o grupo “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional Vacinação Covid-19”, que assessorou o governo na elaboração do plano, se disseram surpresos ao saber pela imprensa da existência do documento e afirmaram que não autorizaram suas assinaturas no documento.

“Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência. Importante destacar que o grupo técnico havia solicitado reunião e manifestado preocupação pela retirada de grupos prioritários e pela não inclusão de todas as vacinas disponíveis que se mostrarem seguras e eficazes”, diz o texto.

Os pesquisadores consideram o plano insuficiente por não prever prioridade na imunização de todas as populações vulneráveis, como quilombolas, populações ribeirinhas, privados de liberdade, pessoas com deficiência, trabalhadores da educação e de serviços essenciais.

“Um atraso na campanha de vacinação significa vidas perdidas”, diz o trecho final da nota, que alerta: é preciso “utilizar a ciência para a tomada de decisão que norteará o que mais importa, a preservação de vidas de milhares de brasileiros e brasileiras”.

Depois da confusão, ainda no domingo (13), o Ministério da Saúde disse que os pesquisadores foram consultados para participar de debates, mas “sem qualquer poder de decisão”.

‘Nós não vimos o documento’

No último fim de semana, a epidemiologista Ethel Maciel usou a rede social Twitter para comentar o episódio. “Nós, pesquisadores que estamos assessorando o governo no Plano Nacional de Vacinação da Covid-19, acabamos de saber pela imprensa que o governo enviou um plano, no qual constam nossos nomes e nós não vimos o documento. Algo que nos meus 25 anos de pesquisadora nunca tinha vivido!”, afirmou.

Segundo o ministério, o Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19, elaborado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, foi entregue eletronicamente na sexta-feira (11) ao STF e à Advocacia-Geral da União (AGU). O ministério também afirma que o documento será “apresentado e detalhado à população” na próxima quarta-feira (16).

Fonte: CUT RS, com edição Seeb Pelotas