Retirada de direitos pode resultar em greve dos empregados da Caixa

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Pedro Guimarães, presidente do Banco, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes querem acabar com conquistas históricas da categoria

Desde abril os empregados da Caixa estão na linha de frente do pagamento do auxílio emergencial, dos saques do FGTS e de outros benefícios, contemplando metade da população brasileira. Mesmo com todo empenho, que colocou em risco a saúde dos empregados, familiares e população atendida, o governo federal quer acabar com os direitos da categoria. Em reação a esse ataque, os trabalhadores do banco público podem deliberar, nesta semana, greve por tempo indeterminado.

“A responsabilidade da greve dos empregados da Caixa e dos demais bancários é do governo Bolsonaro e dos bancos, que estão alinhados para rebaixar os nossos direitos. Nunca iniciamos uma campanha salarial com uma proposta tão rebaixada. Não vamos aceitar nenhum direito a menos. Por isso, é fundamental o engajamento da categoria, acompanhando as informações divulgadas pelas entidades e participando das assembleias virtuais que vão ocorrer”, diz o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto.

Segundo o dirigente, na Caixa um dos principais ataques hoje é a tentativa de inviabilizar o plano de saúde dos empregados. A direção do banco está propondo alterações no modelo de custeio do Saúde Caixa que encarecem o custo para todos os seus usuários.

Negociações

A categoria bancária está em negociação, visando a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), desde o início de agosto. As propostas apresentadas pelos bancos até agora implicam em retirada de conquistas históricas dos bancários. Os bancos propuseram reajuste zero, impondo uma perda de 2,65% nos salários; redução em até 48% a PLR; retirada da 13ª cesta alimentação; reduzir de 55% para 50% a gratificação de função e mexer nos direitos dos bancários que sofreram acidente de trabalho.

“É completamente inaceitável essa proposta. Quase 70% das categorias esse ano fecharam acordos que tiveram aumento real ou reposição da inflação. Estamos falando do setor que mais lucra no país e que não quer dar aumento, além de não garantir os empregos”, critica Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Conforme cálculos do Dieese, com as propostas apresentadas pela Federação dos Bancos (Fenaban) o salário médio do bancário teria uma perda anual de R$ 13.282,57, considerando as reduções da gratificação por função e da PLR, e retirada da 13ª cesta.

A possibilidade de uma greve da categoria não está descartada, caso os bancos insistam na retirada de direitos e no reajuste salarial zero. Assembleias estão agendadas para terça-feira (25).

Lucro

Em 2019, o lucro dos cinco maiores bancos do país somou R$ 108 bilhões, com alta de 30,3% em doze meses. E mesmo em plena crise econômica, os bancos seguem lucrando alto. No primeiro semestre deste ano, o lucro dos quatro maiores – Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil – chegou a R$ 28,5 bilhões.

A Caixa ainda não divulgou o balanço do primeiro semestre de 2020, mas, em 2019, o lucro do banco foi de R$ 21,057 bilhões, representando aumento em relação a 2018 de 103,4%.

Com informações Fenae

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil