Confira resultados da nova etapa de pesquisa da UFPel

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A quarta etapa da pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) sobre a prevalência da covid-19 junto à população gaúcha mostrou um quadro de estabilidade quanto ao número de pessoas que já foram infectadas pelo novo coronavírus no Estado. Os novos números foram apresentados ontem, quarta-feira (27), pelo governador Eduardo Leite e pelo reitor da UFPel e coordenador da pesquisa, Pedro Hallal, em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais.

Concluída na segunda-feira (25), a nova etapa da pesquisa realizou 4.500 testes rápidos em nove municípios: Porto Alegre, Pelotas, Passo Fundo, Caxias do Sul, Santa Maria, Canoas e Ijuí. Desse total, oito pessoas testaram positivo, sendo quatro em Passo Fundo, duas em Uruguaiana, uma em Porto Alegre e outra em Pelotas. Nos demais municípios, não houve registro de casos positivos.

Na terceira etapa da pesquisa, realizada há 15 dias, foram registrados 10 testes com resultado positivo. Segundo o reitor Pedro Hallal, os novos dados da pesquisa estimam que haja um infectado a cada 562 habitantes no Estado. Na pesquisa anterior, essa proporção era de um infectado a cada 454 pessoas. Na segunda, um a cada 769, e na primeira, um a cada 2 mil pessoas. A pesquisa também apontou uma estabilidade quanto ao número de internações hospitalares. No dia 9 de maio, havia 220 pacientes internados suspeitos ou confirmados para covid-19. No dia 26 de maio, havia 225 pessoas nestas condições. Além disso, a pesquisa estimou que há 20.226 pessoas já com os anticorpos para o novo coronavírus, o que representa 0,18% da população. Na etapa anterior, a estimativa era de 24.860 pessoas infectadas pelo vírus (0,22% da população).

Reitor da UFPel e coordenador da pesquisa, Pedro Hallal apresentou novos números sobre epidemia de covid-19 no RS. (Reprodução/TV)

A quarta etapa do estudo indicou também que o grau de letalidade da covid-19 no RS estaria em 3%, considerando a relação entre óbitos e casos confirmados. Isso significa que, a cada cem pessoas infectadas, três morreriam por conta do novo coronavírus. Na etapa anterior, o índice de letalidade era de 4%. A pesquisa também divulgou números sobre os sintomas mais relatados pelas pessoas que tiveram teste positivo para o vírus. A tosse foi o sintoma mais citado (23,1%), seguido por dor de garganta e diarréia, com 15,4%.

Esses números, na avaliação do governador Eduardo Leite, apontam para uma efetiva estabilidade no quadro de contágio no Rio Grande do Sul. Por outro lado, observou, “estamos nos aproximando do inverno e das baixas temperaturas no Estado, quando ficamos mais tempo em locais fechados. Por isso vai ser muito importante mantermos essa parceria”, disse o chefe do Executivo gaúcho, referindo-se à pesquisa coordenada pela UFPel.

Governador Eduardo Leite. (Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini)

Pedro Hallal também destacou esses resultados como positivos, mas ressaltou que eles não autorizam ninguém a dizer que a “epidemia não é tão grave assim”. Os resultados desta quarta etapa da pesquisa indicam que não há um avanço descontrolado da pandemia no Estado e que a proporção da população já exposta ao vírus é baixa. “Isso indica que estamos tomando as decisões corretas, mas não devemos pensar que a epidemia terminou”, enfatizou.

O reitor da UFPel atribuiu os resultados, principalmente, às medidas de distanciamento social que foram adotadas no Estado desde março. Ainda segundo Hallal, um dos resultados mais animadores do estudo diz respeito à relação entre casos estimados e casos efetivamente notificados. A estimativa é que haja 3 vezes mais casos no RS do que os que já foram notificados. Esse número, assinalou, é bem menor do que a estimativa de notificação em nível nacional. “Isso é sinal de que o Rio Grande do Sul está testando mais. Hoje, se quisermos ter um quadro da situação real de contágio no Estado, basta pegar os casos notificados e multiplicar por três”, disse o reitor.

Porto Alegre, observou ainda o pesquisador, no início era o foco de contágios no Estado, mas hoje não é nem mais o lugar com mais casos de coronavírus no Estado. Aqui também, Hallal apontou as medidas de distanciamento social como responsáveis por esse resultado. No entanto, os índices de quem está permanecendo em casa estão diminuindo. Hoje, em média, apenas 14,5% da população está em situação efetiva de quarentena, sem sair de casa. Outros 31,5% estão saindo de casa diariamente e 54% estão numa situação intermediária de distanciamento. Com uma média de 67% de distanciamento social, o RS está na terceira melhor posição do país, segundo levantamento realizado em 133 cidades do Brasil entre os dias 14 e 21 de maio. A pesquisa da UFPel realizará ainda outras quatro rodadas de testes para acompanhar a evolução da covid-19 no Estado.

Os números das quatro etapas da pesquisa realizadas até aqui. (Divulgação)

Secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos afirmou que nenhum Estado está fazendo esse tipo de pesquisa que o Rio Grande do Sul está realizando, com pesquisa amostral de base populacional e aplicação de testes para avaliar a expansão do contágio e definir medidas de isolamento a partir desses resultados. “Os resultados são estáveis e é assim que queremos permanecer”, disse.

Na mesma linha, a secretária da Saúde, Arita Bergmann, disse que a estabilidade que a nova etapa da pesquisa da UFPel significa uma maior responsabilidade para o governo do Estado. Ela citou o caso de Passo Fundo, apontado por Pedro Hallal como um motivo de preocupação. Questionada sobre as diferenças de números de casos notificados que vêm se verificando entre a Secretaria Estadual da Saúde e as Prefeituras, Arita Bergmann, disse que o Estado trabalha com os números que são cadastrados pelos municípios no sistema nacional do Ministério da Saúde.

“As prefeituras têm a responsabilidade de cadastrar os casos neste sistema e registrar a evolução dos mesmos. Hoje, temos alguma defasagem entre o que os municípios divulgam e o que está efetivamente cadastrado no sistema do Ministério da Saúde. Em relação ao numero de óbitos, não há nenhuma dificuldade”, garantiu a secretária.

Fonte: Sul 21