Flávio promete pedir anulação da eleição, mas só 35 mil votos foram registrados após as 17h
Flávio promete pedir anulação da eleição, mas só 35 mil votos foram registrados após as 17h
Mesmo que todos os votos registrados depois das 17h tivessem ido para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente reeleito ainda teria quase 4,4 milhões de votos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL). O cálculo, feito a partir de levantamento do g1 nos registros das urnas, mostra o peso real da prorrogação que o senador usa como argumento para não reconhecer o resultado.
Quanto pesou o horário estendido
Segundo o g1, que analisou os logs das urnas com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 35.521 votos para presidente foram confirmados depois das 17h, horário original de encerramento. Desses, 30.866 estão em seções já totalizadas, e 4.655 em seções que aguardam validação. Os logs registram o horário de cada voto, mas não indicam para quem ele foi dado.
A diferença final entre os candidatos foi de 4.430.191 votos: Lula teve 64.256.232, e Flávio, 59.826.041. Os votos registrados após as 17h correspondem a 0,8% dessa margem.
A prorrogação até as 19h foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pouco depois das 17h. Como muitas urnas já estavam fechadas e não podiam ser reabertas, a medida valeu apenas para as seções que ainda funcionavam.
A campanha de Flávio também pediu mais tempo
As duas campanhas pediram ao TSE a extensão do horário. A de Lula relatou falta de ônibus, redução de frotas e cobrança indevida de passagens em vários estados. Na capital paulista, segundo a campanha, cerca de 60% da frota circulava, apesar de determinação judicial para a operação integral.
A de Flávio pediu duas horas a mais em municípios de cinco estados, entre eles o Rio Grande do Sul, além de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Santa Catarina, por causa de fortes chuvas, enchentes e falta de energia em locais de votação. Segundo a Revista Fórum, a petição também pedia que a divulgação dos resultados só começasse depois do encerramento da votação nesses locais.
O que o senador alega
Em pronunciamento após a confirmação do resultado, Flávio disse que a regra foi mudada durante a disputa pelos “amigos do Lula” no STF e chamou Zanin de ex-sócio do presidente. Antes de ser indicado ao Supremo, Zanin foi advogado de Lula. “Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou.
O senador também disse que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE depois da decisão, mas não apresentou provas. Até o momento, não há confirmação de que uma ação tenha sido protocolada nem detalhes sobre os fundamentos jurídicos do pedido.
O que diz o TSE
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou a vitória de Lula e telefonou para os dois candidatos. Ele explicou que, como a decisão saiu depois das 17h, milhares de urnas já estavam encerradas e não podiam ser reabertas. Por isso, o tribunal bloqueou o recebimento dos boletins de urna durante a interrupção, para que nem o próprio TSE conhecesse os dados antes da retomada. Segundo o ministro, há segurança no processo eleitoral.
Não é a primeira vez
A tentativa repete o roteiro de 2022. Depois da derrota de Jair Bolsonaro, o PL pediu ao TSE a anulação de 59% dos votos do segundo turno. O ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido e multou o partido em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé.
O resultado da eleição está proclamado, e a posse de Lula está marcada para 5 de janeiro de 2027.
Fonte: RadioCom Pelotas



