Breve análise da Política no Brasil

Design sem nome (71)

Se você que acha que o PT e a esquerda, em geral, são os grandes responsáveis pela corrupção no Brasil, preste atenção nos fatos históricos que mostrarei e duvido que não se dê conta de que sua noção sobre a política não seja abalada com a revelação de que o grande responsável pela corrupção, no Brasil, tem um nome: PMDB.

Com o advento da criminosa Ditadura Militar do Brasil, em 1964, foram extintos os Partidos Políticos, tendo sido criados dois “movimentos políticos” – a ARENA (apoiadora do regime assassino) e o MDB (oposição). Ao PMDB filiaram-se políticos de várias matizes ideológicas, desde comunistas a liberais contrários ao regime ditatorial.

Num determinado momento desse bipartidarismo, Ulysses Guimarães pactuou com os militares a manutenção do regime legislativo de fachada (muitos foram contrários, inclusive alguns que, mais tarde, fundariam o PSDB), com a promessa de que, no curto espaço de tempo que duraria a ditadura, quando o regime democrático fosse restabelecido, Ulysses, através do sistema Parlamentarista, seria o Primeiro Ministro, responsável por uma transição baseada no centro do espectro político ideológico.

Com a ditadura mantendo-se por 21 anos, Ulysses sentiu-se traído e começou a combater o regime assassino. Após o fim da ditadura, durante a transição, Ulysses, achando que seria eleito Presidente, lançou a campanha DIRETAS JÁ (com o apoio de Brizola, Lula e tucanos realmente social democratas, como Franco Montoro) acreditando que, como era visto como o Sr. Diretas, seria eleito Presidente.

Muitos políticos da antiga Arena (passou para PDS na abertura) ingressam no PMDB para, conforme acertado com os militares, garantirem que Brizola não fosse eleito por eleições diretas. Esse acerto resultou na derrota da emenda das Diretas e em eleições através do colégio eleitoral do Congresso, que elegeu Tancredo ( de centro ) como presidente, tendo o ex-presidente do PDS José Sarney, como vice garantidor do acordo.

Após a “ morte “ de Tancredo, José Sarney assume e, baseado em um plano econômico desastroso, consegue eleger 25 Governadores e muitos parlamentares ligados à ditadura, espalhados em diversos partidos. Essa maioria e também a disseminação de emissoras de rádio e TV nas mãos de políticos alinhados ao Governo, garante que Sarney consiga mais 1 ano de mandato.

Diante desse golpe que, para fazer com que Ulysses aceitasse de bom grado o acordo que o alijou de seu sonho, PMDBistas deixaram o partido e criaram o PSDB, com viés ideológico de centro esquerda, liderados por Franco Montoro.

Então esses parlamentares, antigos apoiadores da ditadura e corrompidos pelas benesses estatais na área de comunicação, formularam a CF/88, dando ao povo, devido a alguns avanços na área social, a ideia de que estavam construindo uma Constituição Cidadã (Ulysses presidia a Câmara); quando, na verdade, estavam montando, no Brasil, uma Carta que criava o Presidencialismo de Coalisão, o que garantiria para Ulysses um quase Parlamentarismo e para o PMDB a possibilidade de ser o fiel da balança que garantiria a necessidade de apoio parlamentar negociado com o maior partido do congresso (desde então o PMDB), abrindo, portanto, portas imensas para a CORRUPÇÃO.

Na eleição em que Collor ganhou com o apoio e a ajuda da grande mídia, um Ulysses já desgastado, mas ainda com um sonho, teve 2% dos votos. E vejam que novamente o PMDB, com Itamar Franco de vice, faz parte do governo, mas não é ele o governo. É o garantidor da coalisão. Com o afastamento de Collor (Itamar foi correto, diferente de TEMER, que articulou para assumir), o plano era Itamar renunciar e Ulysses, então ainda Presidente da Câmara assumir. No entanto, Ulysses morre e Itamar fica no cargo. Em seu governo Itamar cria o Plano Real e é traído pelos tucanos (já afastados dos princípios defendidos por Montoro) que fazem parecer que FHC seria o criador do plano só porque era Ministro da Fazenda. Objetivo? Derrotar Lula, já que Itamar não era visto como forte o suficiente para vencer a eleição.

Com a vitória de FHC quem, mesmo tendo sido traído pelos tucanos, vira base de apoio de FHC, por 2 mandatos? Ele mesmo…o PMDB. NUNCA NO GOVERNO E SEMPRE NO PODER…novo lema PMDBista…

Nos mandatos de Lula, quem, mais uma vez oferece seu apoio ? Hum…isso…o PMDB. E nos de Dilma ? Hum…isso…também eles. Só que aqui, nessa quadra da história, acontece algo que todos os governos anteriores aos Petistas (Sarney, Collor, Itamar, FHC) nunca deixaram que acontecesse…investiga-se a corrupção. Lula e Dilma NUNCA tentaram travar as investigações, como fizeram os anteriores, principalmente FHC. Membros do próprio partido do Governo, o PT, são investigados e presos (alguns sem provas, como disse Rosa Weber). E, no meio dessas investigações, eis que o vice de Dilma, Temer, do PMDB, com apoio de Eduardo Cunha, do PMDB, como presidente da câmara, resolvem, como disse Jucá, “estancar a sangria” e, com um Golpe Parlamentar, tirar da Presidência quem não impedia e não impediria que as investigações avançassem.

Temos, portanto, mais um PMDBista sem voto na Presidência. Estancar a sangria e entregar o Brasil para as potências estrangeiras e para o empresariado nacional, através da retirada de direitos do trabalhador brasileiro. Tudo para, com o apoio das grandes corporações (da mídia, inclusive) para barrar o que tinha que ser barrado, já que a lama lhes batia no queixo. E assim tentaram. Mas não contavam com o curso da história e com certas gravações. Então, mais uma vez, também, quem traiu é traído. (TEORIA DA CONSPIRAÇÃO SÓ É TEORIA PARA O CONSPIRADOR)

CONCLUSÃO 1 – a base da corrupção foi construída e mantida pelo PMDB (ex-arenistas incluídos) desde a CF/88, e a montagem da estratégia do Presidencialismo de Coalisão, que remete à eterna necessidade de todos governos terem o “apoio” parlamentar oferecido pelo PMDB.

CONCLUSÃO 2 – PMDB sempre apresentou candidatos fracos à Presidência por não ter interesse em ser Governo (FORA TEMER, que tinha esse interesse para se livrar das investigações) e sim ESTAR COM os governos, pois só assim poderia FATURAR com seu “apoio”. Esse partido, vejam bem, só foi governo com GOLPES OU “MORTES “.

Por Mauro Crespo Nunes – diretor do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região e funcionário da Caixa