Em
Entrevistamos a coordenadora nacional do movimento, Nalu Faria, que falou sobre a mobilização e sobre os 100 anos dessa data tão importante: o Dia Internacional da
Mulher.
1) Este ano, completam-se 100 anos do Dia Internacional da Mulher. Qual a atualidade de se celebrar essa data?
O dia 8 de março tornou-se uma data de referência para o movimento de mulheres em grande parte do mundo, contribui para reforçar um amplo movimento e as mobilizações que reúnem milhares de mulheres em cada país. A igualdade é um tema pendente em uma sociedade patriarcal, que se utiliza da opressão das mulheres e de classe para se manter. A origem do 8 de março está na relação da luta das mulheres com a luta por uma sociedade socialista e sem nenhum tipo de
desigualdade e opressão. Seu centenário resgata que essa luta vem de muitos anos atrás, que essa não é uma história que começou recentemente e ressalta a coragem das mulheres de saírem às ruas. E isso se deu em um processo de luta, auto-organização e de questionamento do machismo no interior da esquerda.
2) Como lutar contra a tentativa de mercantilização do dia das mulheres, que a mídia e as grandes empresas tentam promover para ter lucro com a data?
Estando mobilizadas nas ruas e denunciando o papel dessas empresas na opressão das mulheres: a intensificação da exploração do trabalho feminino e a imposição de um modelo de feminilidade que, segundo tais empresas, pode ser comprado no mercado. A indústria da beleza é uma das mais
lucrativas, assim como as farmacêuticas, que dizem vender soluções para o mal-estar que as mulheres vivem diante de tais cobranças. Em relação ao 8 de março, tentam fazer com
que seja mais um dia de consumo, tentando tirar o sentido crítico e contestador da luta feminista.
3) Muitas bancárias sofrem assédio moral e assédio sexual no trabalho, e há diferença salarial em relação aos homens (30% menos para elas). Como combater o machismo no mundo do trabalho?
A opressão específica sobre as mulheres tem uma base material concreta, a divisão sexual do trabalho. A luta por igualdade inclui lutar para romper com ela. Combater o machismo passa por entender que o que está em jogo não é apenas a exploração de classe. Em geral, naturaliza-se a ideia de que as mulheres são inferiores, menos capacitadas, quando, na verdade, isso é apenas uma justificativa para privilégios dos homens no trabalho e na vida como um todo. Mesmo quando se trata de um trabalhador explorado pelo capital, por ser homem, ele tem mais poder em
relação às mulheres. O exemplo típico é que ganham mais fazendo o mesmo serviço e, quando chegam em casa, descansam, enquanto a mulher segue fazendo o trabalho doméstico. Isso garante a exploração das mulheres no mercado de trabalho (ganham menos e estão em postos considerados menos qualificados) e do trabalho doméstico e de cuidados que elas cumprem como se fosse naturalmente seu.
4) A Marcha Mundial das Mulheres vai marchar durante 10 dias
No Dia Internacional das Mulheres, teremos um grande ato público em Campinas e cerca de 3 mil mulheres, de todas as regiões do país, vamos em caminhada até São Paulo. O lema das mobilizações é "Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres", com quatro eixos: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos (contra a privatização da natureza e dos serviços públicos); paz e desmilitarização; e fim da violência contra as mulheres. Dia 16, teremos um debate sobre paz e desmilitarização com a presença da filha mais velha de Che Guevara, a pediatra
cubana Aleida Guevara. No calendário internacional de lutas do movimento feminista em 2010, o segundo período de ação acontecerá entre 7 e 17 de outubro, com novos atos e marchas simultâneas que se encontrarão na República Democrática do Congo.
*Entrevista publicada no Informativo "A Bancária" do SindBancários