Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010

Campanha Laranjal é Mais

 

Ecoduto: Alternativa ecológica e sustentável para saneamento ambiental com o uso de pneus descartados


Fernando Caetano (*)

A cada ano a deposição de pneus no meio ambiente se amplia e ao experimentarmos uma política econômica calcada na substituição e aumento da frota de veículos e sua conseqüência nos engarrafamentos das grandes cidades ampliando o descarte de pneus e gerando um passivo ambiental relevante. Ao mesmo tempo este resíduo pouco valor e renda agrega as comunidades catadoras e as cooperativas de reciclagem. O pneu passou a ser o vilão da saúde da população e sua incineração em fornos já é aceita pelos diversos órgãos de controle ambiental gerando emissões de carbono negro e gases venenosos na atmosfera.

Pesquisas e soluções que usem tecnologia limpa que ampliem as possibilidades para aqueles pneus descartados e inservíveis precisam ser incentivadas e neste sentido o desenvolvimento de um produto para o saneamento ambiental, transformando o resíduo pneu em duto para escoamento de águas pluviais e efluentes do esgoto, ampliando as possibilidades dos operadores ligados a atividade de serviços em pneumáticos conseguirem atender a Resolução 258 de 26 de agosto de 1999 do CONAMA[1] que em suas considerações iniciais determina:

           Os Pneumáticos inservíveis abandonados ou dispostos inadequadamente constituem passivo ambiental que resulta em sério risco ao meio ambiente e à saúde pública., pela Resolução 258/99 do CONAMA  os fabricantes e importadores ficam obrigados a recolher e dar destinação final ambientalmente adequada aos pneus inservíveis na ordem de 5 pneumáticos destinados para cada 4 novos..

          Segundo organizações internacionais, a produção de pneus novos está estimada em cerca de 2 milhões por dia em todo o mundo e o descarte de inservíveis chega a atingir anualmente a marca de quase 800 milhões de unidades. Só no Brasil são produzidos cerca de 60 milhões de pneus por ano e quase metade dessa produção é descartada nesse período.

         O passivo ambiental gerado pelo descarte de pneus inservíveis na natureza, aliado a realidade do saneamento ambiental nas periferias urbanas com o descarte de pneus principalmente em áreas onde o mercado do pneu usado encontra demanda, o descarte ocorre no quintal, em córregos, sarjetas e sangas, piorando ainda mais as condições de saneamento destas áreas.

            O custo energético de reciclar um pneu radial separando o aço da borracha é muito elevado e envolve o uso de combustíveis no processo o que aumenta a produção de CO2 e gases do efeito estufa.

           Hoje o pneu passou a ser o vilão da saúde pública brasileira, os organismos de controle ambiental públicos já relevam a sua queima em fornos, em muito contribuindo para o aquecimento da atmosfera.

            A falta de esgoto mata uma criança a cada 19 segundos no mundo que tem 1,1 bilhão de pessoas sem acesso à água e 2,6 bilhões sem saneamento, aponta, o relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD.

  O Conselho Municipal de Proteção Ambiental em 2004, recebe um grupo de borracheiros na busca de uma solução para o destino de pneus inservíveis no município de Pelotas, tendo em vista que o grupo e micro empresas do setor não estavam conseguindo apoio das Indústrias de Pneumáticos.

A preocupação dos borracheiros em cessar a deposição em áreas de proteção ambiental, é motivada pelosos riscos à saúde gerados por vetores, considerando que suas atividades ocorrem em boa parte junto as suas residências, suas famílias acabam expostas.

A idéia foi a de produzir tubos para drenagem com a reunião de pneus radiais, amarrando-os entre si com arame para facilitar sua a ancoragem e torção, comprimiu-se o conjunto de seis pneus que foram amarrados e logo após houve um afrouxamento da pressão que deformou as armaduras de aço no interior dos pneus.                                       

Uma reação física faz com que o pneu elástico e sua armadura fosse deformada e retornasse a sua configuração física original. Isto acabou encontrando resistência no arame que transferiu esta força em forma radial do centro do pneu para suas extremidades em sentido contrário das pressões que são exercidas no tubo destinado a drenagem. Então nasce aí o princípio físico que deu resistência mecânica considerável ao conjunto de pneus sob a forma de duto. O resultado foi uma surpresa sob o ponto de vista da resistência dos materiais, e quanto a durabilidade o pneu tem uma vida útil elevada, estima-se que a sua decomposição dure 600 anos, sendo desenvolvida uma prensa hidráulica para a produção dos dutos.

               Considerando que o custo do duto de pneu se comparado com os similares de concreto, o de pneu chega em média a 30% do valor do tubo convencional, torna o sistema bastante econômico.

             Além de solucionar o passivo ambiental provocado pela deposição dos pneus na maioria das vezes em áreas de proteção ambiental e auxiliar retirando principalmente de áreas densamente ocupadas, os pneus propagadores de vetores, o sistema “ecoduto” acaba valorizando o resíduo e promovendo renda e desenvolvimento para cooperativas e catadores locais. O sistema adquire uma escala de âmbito global, no sentido de oferecer saneamento ambiental com drenagem, esgotamento e tratamento de efluentes às populações em risco social e de saúde, com a reciclagem de um resíduo muito abundante nos países desenvolvidos, certamente o descarte dos ricos poderá auxiliar as populações mais pobres do planeta, promovendo um melhor habitat em regiões da África, América Latina e Ásia.

 

Fernando A. Caetano, Arquiteto e Urbanista, especialista pelo curso de pós-graduação em Preservação do Patrimônio Arquitetônico e Urbano da UFPEL, pós-graduando em Engenharia de Bio sistemas da Faculdade de Engenharia Agrícola da UFPEL, Campus Capão do Leão - ecoduto@gmail.com





 


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