Viver é melhor que sonhar: ao completar 18 anos, Rádiocom se faz o braço, o lábio e a voz da comunidade pelotense

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Por Eduardo Menezes – jornalista do Sindicato dos Bancários de Pelotas e ex-comunicador da RádioCom

O dia 12 de junho é sempre lembrado pelos apaixonados. Mas essa data, de forte apelo comercial, possui um significado especial para quem sabe que, embora “o amor seja uma coisa boa, qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa”. Um canto pequeno, diga-se de passagem. Mas cheio de história. Uma sala, na Galeria Antunes Maciel, no centro de Pelotas, pela qual já passou tanta história, tanta vida, tanta pessoa, que é impossível dimensionar este espaço pelas paredes que o delimitam. A RádioCom cresceu e o seu “canto” já é em qualquer canto. Um canto, que se faz canto, e encanta toda vez que alguém sintoniza o 104.5 FM ou acessa o site: www.radiocom.org.br.

Comunicadores apaixonados por rádio. Apaixonados pela cultura. Apaixonados pelo ativismo social e político. Apaixonados pela coletividade. Apaixonados pela transformação das condições de vida daqueles que não têm acesso a tudo aquilo que é direito de todos. No dia 12 de junho de  2001, um grupo de abnegados sindicalistas, radialistas, jornalistas, artistas, desempregados e estudantes se reuniram com um sonho em comum: dar vez e voz à comunidade. Comunidade, essa, que não se limita a definições acadêmicas. Comunidade que é diversa, que é plural, e se constrói no dia a dia, nas vivências do bairro, nas angústias de cada um que sente-se enclausurado na multidão. Por quem, até conhecer a RádioCom, achava que estava sozinho. Não está! Estamos juntos!

Amor à primeira vista

Sem espaço na grande mídia, ao longo dos anos, muitos comunicadores com passagem por emissoras comerciais se somaram ao projeto. O local do primeiro encontro dos apaixonados pela rádio foi o Sindicato dos Bancários de Pelotas. Ali, com apoio de outras entidades sindicais do município, é que se fez “o braço, o lábio e a voz” desta emissora comunitária, assumindo, desde a sua primeira transmissão, um compromisso fundamental: lutar pela democratização da comunicação.

O braço da RádioCom é o do operário, do trabalhador que, de sol a sol, faz girar a roda da economia, mas nem sempre consegue usufruir do esforço do seu trabalho. É um braço habilidoso, como o do músico, que, em sintonia com a realidade em que vive, transforma em melodia o sentimento de que um outro mundo é possível. É um braço que não se cansa de escrever, como o do poeta, que tem coragem de dizer ao mundo que basta, apenas, não perdermos a capacidade de amar; ou melhor, a capacidade de nos indignar, pois não há maior prova de amor do que o cuidado com o semelhante. Um semelhante que, conforme a RádioCom ensina, ao longo dos seus 18 anos de vida, é justamente o diferente.

Viva a pluralidade! Viva a diversidade! A RádioCom apaixona por isso. Seu lábio, aos 18 anos, é como o da pessoa amada. Coração que acelera diante do microfone. Mãos que suam quando, pela primeira vez, se colocam diante de sua tão simples e, ao mesmo tempo, tão encantadora forma de acolher quem com ela se envolve. Sua voz ecoa em nosso peito. As suas ondas, tão livres, não permitem um sentimento de posse. A RádioCom não tem dono! A RádioCom é de todos nós, porque a RádioCom é cada um de nós, juntos, de mãos dadas, sem soltar a mão de ninguém!

Aprendemos, pela dor e pelo amor, que não há transformação possível sem a capacidade de nos deixarmos envolver por um projeto em comum. Estamos apaixonados. Quem faz parte da rádio a quer livre. Jamais submissa! Jamais devota! A amamos porque seu lábios sabem sussurrar por liberdade, mas sua boca não se cansa de gritar rebeldia. Sempre que nos perguntam sobre a “nossa paixão” não nos envergonhamos de dizer que “estamos encantados com esta nova invenção”. Decidimos ficar nesta cidade, pois “vemos vir vindo no vento o cheiro da nova estação”.

Nesse dia 12 de junho de 2019, sustentando a dor em perceber que “ainda vivemos como os nossos pais”, compreendemos, pela experiência, que as aparências não enganam, não! Quem ama o passado não vê, mas nós, apaixonados pela rádio, sabemos que o novo sempre vem. É por isso que a RádioCom veio. E veio para ficar. “Somos muito mais do que dois”, como diria Benedetti. E, em meio a tanto retrocesso e perseguição cultural e política, preferimos ficar com o conselho de Elis Regina. Seguiremos vivendo a RádioCom. O sonho virou realidade!

Festa da RádioCom

No próximo dia 29 de junho, às 20h, no Espaço Cultural Ânima – Praça Coronel Pedro Osório, nº 62, os apaixonados pela rádio têm encontro marcado para comemorar seus 18 anos de vida. As atrações ficam por conta da exposição e discotecagem dos programas da RádioCom. Venha comemorar com a gente. Os ingressos, a R$ 10,00, podem ser adquiridos direto no estúdio da rádio – Galeria Antunes Maciel, sala 203. Telefone para contato: 3222-1571.

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