Aula sobre democracia leva milhares às ruas de Pelotas

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Do Mercado Público ao IFSul comunidade pelotense diz não à ameaça de cortes na educação pública e convoca a população para a Greve Geral do dia 14 de junho

Foi histórico. Milhares de pessoas tomaram as ruas de Pelotas em defesa da educação pública e da Previdência Social. Em resposta ao atual ministro da educação, Abraham Weintraub, os cartazes, bastante didáticos, tiveram a preocupação de levar o conhecimento adquirido em sala de aula a um governo que tem se pautado pela ignorância e o preconceito. “Balbúrdia é o governo que governa pelo Twitter”, criticava uma manifestante. “Mais educação e menos milícia”, alertava outra. “Menos armas, mais livros”, sintetizava um terceiro.

Lutar como os servidores públicos. Lutar como Marielle. Lutar como os aposentados. Lutar como pais e mães, que acompanharam seus filhos, no ato. Lutar como os estudantes. Sim. Os protagonistas. Meninas e meninos que, em uma só voz, alertaram os que estão tomados pelo ódio ao conhecimento: “não vai ter corte, vai ter luta”; afinal, eles, os estudantes, fizeram questão de deixar claro que o medo não os paralisa, como, infelizmente, tem feito com a maioria da população.

Música clássica, capoeira, tambores de sopapo, divulgação de pesquisas acadêmicas, fotos, imagens, divulgação dos serviços de saúde prestados pela universidade, apresentações de teatro e tantas outras manifestações públicas. A aula, de fato, foi na rua. A universidade, em toda sua diversidade, esteve representada. E muito bem representada. As escolas de educação básica também. Os secundaristas lembraram Mercedes Sosa. Escalaram os prédios históricos do centro da cidade, erguidos às custas de muito suor e sangue escravo, durante as Charqueadas, no século XIX, fazendo ressoar os gritos por liberdade. Quanto mais o governo tenta sufocar as vozes dessas meninas e meninos mais elas se parecem com as vozes dos que, em algum momento da história desse país, ousaram não se calar para que, hoje, pudéssemos viver em uma democracia.

Pelotas carrega as chagas de uma dívida história com a sua população negra. Pelotas tem suas ruas centrais marcadas pelo açoite da chibata que, hoje, se faz sentir nas costas dos trabalhadores que já não sabem se um dia poderão ter o direito à uma aposentadoria digna. Grandes empresários e banqueiros, sonegadores de impostos, têm suas dívidas perdoadas. Aliás, mais do que isso. Têm suas dívidas transferidas para todos aqueles que produzem riqueza, no Brasil, fazendo o país crescer e se desenvolver.

Mas “a luta unificou”, como disseram os que foram as ruas de Pelotas. Estudante, junto com o trabalhador, não aceita pagar a conta. Não aceita ter o seu futuro destruído por interesses privados. A dívida deste governo com o golpe sofrido em nosso país, para direcionar o resultado das eleições presidenciais, é com o poder econômico e com o que há de mais nefasto no meio político. A cada dia que passa, a farsa do impeachment fica mais clara.

Se a cantora Mercedes Sosa estivesse passando por Pelotas, nesta quarta-feira, dia 15 de maio, ela daria “um viva aos estudantes”. Deixaria escorrer uma lágrima pelo abandono do Theatro Sete de Abril, mas se somaria ao ato e não conteria a alegria em ver que a cultura e a educação seguem caminhando, lado a lado, ensinado a quem ainda possui a capacidade de se deixar emocionar. “Os estudantes não se fazem de cegos, quando se apresenta o que foi feito”, cantaria. Ela, mais do que ninguém, sabia que os estudantes são “passarinhos libertários, que marcham sobre as ruínas, com as bandeiras ao alto, quando lhes metem, nos ouvidos, batinas e regimentos”.

Por Eduardo Menezes – Seeb Imprensa Pelotas

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