Mulheres dizem não à Bolsonaro: pelotenses lotam o largo do Mercado Público em adesão ao #elenão

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Organizado e liderado por mulheres de todo o país, a manifestação que ganhou as redes sociais com a hashtag #elenão teve uma grande adesão na cidade de Pelotas, neste último sábado (29). Certamente trata-se do maior protesto de mulheres da história do Brasil. A marca registrada foi a diversidade do público. Mulheres e homens, de todas as etnias e orientações sexuais ou religiosas, filiados, ou não, a partidos políticos, empunharam uma única bandeira: o repúdio ao candidato à presidência que simboliza todas as formas de preconceito e incita à violência contra adversários políticos.

A hipocrisia do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, é a sua principal marca. Se diz “contrário à corrupção”, mas utiliza-se de todas as artimanhas políticas possíveis para tentar legitimar e justificar as práticas que afirma “condenar”. Em 2014, durante sua campanha, o candidato Jair Bolsonaro, à época no PP, recebeu R$ 200 mil do grupo JBS, segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral. Sabendo das possíveis complicações do recebimento do dinheiro, ele encaminhou este valor, como doação, para o partido, tendo reconhecido em recente entrevista à Jovem Pan, de que se tratava de dinheiro proveniente de propina. Para não se complicar com a Justiça, posteriormente, o então candidato à deputado pediu que o PP repassasse a mesma quantia para a sua conta; valor que, segundo ele, dessa vez seria proveniente do fundo partidário do partido.

Mas as contradições de quem diz querer “combater a corrupção” não param por aí. No discurso, Bolsonaro condena os “privilégios dos políticos” e diz querer “evitar o gasto público”, mas não abre mão do auxílio moradia que recebe, mesmo possuindo imóvel próprio em Brasília. O candidato da extrema-direita brasileira também sofre investigação do Ministério Público Federal pela acusação de empregar uma funcionária fantasma e é conhecido por quase 30 anos de mandatos legislativos sem aprovar sequer um projeto nem mesmo na área da segurança, que diz ser a sua prioridade. Vale lembrar que o estado pelo qual foi eleito – o Rio de Janeiro – é o mais violento do país.

Bolsonaro também costuma se dizer contra “o apadrinhamento político”, mas, na prática, colocou toda a família para ocupar cargos eletivos, empregando sua ex-mulher e parentes dela no legislativo. É, portanto, o retrato exato de tudo aquilo que, no discurso, diz condenar. Defensor do “livre mercado”, se mostrando favorável à privatização de serviços públicos, e não vê contradição em ser ele mesmo um dos maiores beneficiários do Estado “inchado” que diz querer combater.

#elenão

O movimento #elenão representa o repúdio a toda essa hipocrisia travestida de “moralismo” e “civismo”. É um movimento que nasce pelo repúdio às declarações machistas, racistas e homofóbicas do candidato, mas que, ao vir à público, tratou de desmascarar um político que, mesmo na sua vida privada, já foi acusado por sua ex-esposa de furto, ocultação de patrimônio e agressividade.

A vanguarda na luta pela democracia brasileira foi assumida por todos aqueles que Bolsonaro diz não representar e, equivocadamente, chama de “minorias”. As mulheres não são minorias! Negras e negros não são minoria! A comunidade LGBT não é minoria! Homens que lutam por dignidade para todos, sem excessão, não são minoria! Trabalhadoras e trabalhadores conscientes do seu lugar de classe não são minoria! A única minoria que existe nesse país é a que defende a hipocrisia como arma para ludibriar as massas e governar para os mesmos de sempre:  banqueiros, rentistas, grandes empresários e setores do poder político e judiciário que legislam em causa própria.

Seeb Imprensa Pelotas

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